Trump ameaça taxar China em 50% se o país enviar armas ao Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou neste domingo, 12, impor tarifas de 50% sobre as importações chinesas caso Pequim forneça armas ao Irã.
O presidente fez o alerta durante uma entrevista à Fox News, após a CNN revelar que a inteligência americana acredita que o governo chinês está se preparando para entregar sistemas de mísseis antiaéreos a Teerã.
"Duvido que eles façam isso, porque tenho um bom relacionamento e acho que não fariam", disse Trump, acrescentando: "Mas se os pegarmos fazendo isso, imporemos uma tarifa de 50%, o que é um valor exorbitante".
No sábado, falando a repórteres na Casa Branca, ele já havia alertado que "se a China fizer isso, a China terá grandes problemas".
Trump tem viagem marcada para Pequim em maio para se encontrar com seu homólogo chinês, Xi Jinping.
As delegações americana e iraniana deixaram Islamabad neste domingo sem um acordo para encerrar o conflito, após mais de 20 horas de reuniões, o encontro presencial de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.
Sem acordo
Também neste domingo, Trump disse que o país iniciará o bloqueio e a tomada de controle do Estreito de Ormuz após o fracasso das negociações com o Irã.
“Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de bloqueio de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, disse Trump em publicação na Truth Social, rede social do próprio presidente. Segundo ele, a operação contará com a participação de outros países.
O anúncio pode reduzir as chances de um acordo de curto prazo e amplia o risco de impacto nas economias globais, já pressionadas desde o início do conflito. A reunião realizada entre os países no Paquistão terminou sem acordo e previsão de novo encontro.
O estreito, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, concentra cerca de um quinto do fluxo global de petróleo, o que o torna estratégico para o comércio internacional de energia.
Trump afirmou que a decisão busca impedir que o Irã controle a passagem e obtenha ganhos econômicos em meio à crise.
Segundo o presidente, o bloqueio é uma resposta ao que classificou como “extorsão” por parte de Teerã, em referência às ameaças de restrição ao tráfego na região.
O presidente também afirmou que o objetivo final é restabelecer a circulação plena de embarcações, mas sem a interferência iraniana.
“Em algum momento, chegaremos a um ponto em que todos podem entrar e todos podem sair”, disse.
Ele acusou o Irã de criar incertezas deliberadas, ao sugerir a presença de minas no estreito.
Negociação fracassa após impasse sobre armas nucleares
O fim das negociações entre Estados Unidos e Irã foi marcado menos pelo resultado e mais pelo tom das declarações após o encontro. Os americanos falaram em falta de compromisso sobre armas nucleares, enquanto os iranianos reclamaram de “demandas excessivas” que impediram um acordo após 21 horas de conversas.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que a delegação americana deixou a capital paquistanesa com uma “última oferta”, descrita como um “acordo de entendimento”. Segundo ele, os termos foram apresentados de forma clara, mas não houve aceitação por parte do Irã.
“Fomos o mais claros possível sobre em quais pontos poderíamos ceder e em quais não”, disse Vance, ao reforçar que Washington mantém suas linhas vermelhas.
O principal impasse, segundo o vice-presidente, foi a ausência de um compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares no longo prazo. Embora não tenha detalhado as negociações, ele reforçou a cobrança ao afirmar que “precisamos ver um compromisso firme de que não buscarão uma arma nuclear”.
Do lado iraniano, autoridades também confirmaram que não houve acordo, apesar de avanços em alguns temas. O governo classificou parte das exigências americanas como demandas excessivas e pedidos ilegais.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Ismail Baghaei, afirmou que o avanço das negociações depende da “boa-fé” dos americanos e do reconhecimento dos interesses do país.
Segundo ele, houve entendimento em “vários temas”, mas divergências em “duas ou três questões importantes” impediram o acordo.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: