Trump autorizou ataque ao Irã após ligação com Netanyahu, diz agência
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a operação militar contra o Irã após uma ligação com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, menos de 48 horas antes do início dos ataques, segundo a Reuters.
De acordo com a agência, a conversa ocorreu após relatórios de inteligência indicarem que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e aliados próximos participariam de uma reunião em Teerã — o que abriria uma janela para um ataque direto à cúpula do regime.
Trump já havia aprovado a realização de uma operação contra o Irã, mas ainda não havia definido o momento nem as condições para o envolvimento direto dos Estados Unidos.
Durante a ligação, Netanyahu teria defendido que aquela poderia ser a melhor oportunidade para eliminar Khamenei, argumento reforçado por informações de que o encontro havia sido antecipado — o que tornaria o alvo mais vulnerável.
Segundo fontes ouvidas pela agência, o contato funcionou como um argumento final do líder israelense antes da decisão do presidente americano de autorizar o avanço da operação militar, batizada de “Epic Fury”, em 27 de fevereiro.
Os primeiros bombardeios ocorreram na manhã do dia seguinte, e Trump anunciou horas depois a morte de Khamenei.
Pressão israelense e planejamento da guerra
De acordo com a Reuters, Netanyahu vinha defendendo há anos uma ação direta contra o Irã e, ao longo do planejamento militar, atuou para convencer Washington da necessidade do ataque — embora não haja evidências de que sua pressão tenha sido determinante.
Ainda assim, a narrativa apresentada por Israel, incluindo a possibilidade de eliminar a liderança iraniana e provocar uma mudança de regime, foi considerada persuasiva por autoridades americanas.
O secretário de Estado, Marco Rubio, chegou a alertar o Congresso dias antes que os Estados Unidos poderiam ser arrastados para o conflito.
Escalada militar e impacto global
A ofensiva foi precedida por meses de tensão, incluindo um ataque anterior em junho contra instalações nucleares e de mísseis do Irã, realizado inicialmente por Israel e depois com participação americana.
Segundo a Reuters, dois fatores influenciaram a decisão final de Trump: o fracasso das negociações nucleares com Teerã e a avaliação de que operações militares complexas poderiam ter baixo custo para os EUA, após uma ação anterior bem-sucedida na Venezuela.
Desde o início dos ataques, o conflito já deixou mais de 2.300 civis iranianos mortos e ao menos 13 militares americanos mortos, além de provocar retaliações contra ativos dos EUA e aliados no Golfo.
O confronto também levou ao fechamento de uma das principais rotas marítimas globais e a uma disparada nos preços do petróleo.
Cenário pós-ataque
Apesar de apostas de Israel e de parte do governo americano em uma possível mudança de regime, avaliações de inteligência indicavam que a morte de Khamenei poderia levar à ascensão de um líder ainda mais radical.
Após o ataque, Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi nomeado novo chefe do regime iraniano.
Sem sinais de queda do governo, forças da Guarda Revolucionária seguem nas ruas enquanto milhões de iranianos permanecem em casa em meio à escalada do conflito, que já entra na quarta semana.
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