Trump busca apoio de Xi para conter crise no Oriente Médio
Donald Trump deve pressionar o presidente chinês, Xi Jinping, a atuar de forma mais direta para tentar encerrar a guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos durante a reunião bilateral realizada nesta quinta-feira, 14, em Pequim.
O conflito no Oriente Médio se tornou um dos principais temas da viagem do republicano à China, a primeira de um presidente americano ao país desde 2017.
Segundo a agência Reuters, a Casa Branca busca convencer Pequim a usar sua influência sobre Teerã para reduzir as tensões no Golfo Pérsico e destravar as negociações de paz, que seguem paralisadas mesmo após o cessar-fogo iniciado há mais de um mês.
A guerra elevou os preços do petróleo e de outras commodities globais, além de aumentar preocupações econômicas dentro dos Estados Unidos em meio à disputa eleitoral legislativa deste ano.
O governo americano teme que a inflação provocada pelo conflito afete o desempenho eleitoral do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato.
Pressão sobre Irã e Estreito de Ormuz
Washington exige que o Irã abandone seu programa nuclear e suspenda ameaças ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passavam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra, em fevereiro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo americano quer que a China desempenhe um papel “mais ativo” para conter Teerã.
“Deixamos claro que qualquer apoio ao Irã seria prejudicial para nossa relação”, disse Rubio em entrevista à Fox News durante o voo presidencial para Pequim.
A China mantém relações próximas com o Irã e é uma das principais compradoras de petróleo iraniano. Apesar disso, analistas avaliam que Pequim possui influência limitada sobre as decisões militares e estratégicas de Teerã.
Mesmo sob pressão internacional, navios petroleiros chineses continuam atravessando o Estreito de Ormuz. Dados de rastreamento marítimo mostram que um superpetroleiro chinês transportando 2 milhões de barris de petróleo iraquiano cruzou a região nesta semana.
Conflito acelera rearranjo geopolítico
O conflito também provocou movimentações diplomáticas e militares no Oriente Médio. Israel afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu realizou uma visita secreta aos Emirados Árabes Unidos em março para discutir cooperação regional diante da guerra.
Segundo o governo israelense, o encontro teria representado um “avanço histórico” nas relações bilaterais. O governo dos Emirados, porém, negou que a reunião tenha acontecido.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, reagiu com críticas aos Emirados e alertou contra qualquer aproximação militar com Israel.
A Reuters também afirma que caças sauditas realizaram bombardeios contra milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, ampliando o envolvimento indireto de países do Golfo no conflito regional.
Trump tenta ampliar agenda com Xi
Além da guerra no Oriente Médio, Trump e Xi discutem temas como comércio bilateral, tarifas, Taiwan e segurança internacional.
Os dois governos tentam evitar uma nova escalada nas tensões comerciais iniciadas nos últimos anos, especialmente após as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos chineses e as restrições de Pequim às exportações de terras raras.
A visita também reúne empresários de grandes companhias americanas. Participam da delegação executivos como Elon Musk, da Tesla e da rede X, Tim Cook, da Apple, e Jensen Huang, da Nvidia.
Após o encontro, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que as negociações para encerrar a guerra avançam, mas ressaltou que a principal exigência de Trump continua sendo impedir que o Irã obtenha armas nucleares.
Teerã nega que busque desenvolver armamento nuclear.
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