Trump busca apoio de Xi para conter crise no Oriente Médio

Por Estela Marconi 14 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Trump busca apoio de Xi para conter crise no Oriente Médio

Donald Trump deve pressionar o presidente chinês, Xi Jinping, a atuar de forma mais direta para tentar encerrar a guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos durante a reunião bilateral realizada nesta quinta-feira, 14, em Pequim.

O conflito no Oriente Médio se tornou um dos principais temas da viagem do republicano à China, a primeira de um presidente americano ao país desde 2017.

Segundo a agência Reuters, a Casa Branca busca convencer Pequim a usar sua influência sobre Teerã para reduzir as tensões no Golfo Pérsico e destravar as negociações de paz, que seguem paralisadas mesmo após o cessar-fogo iniciado há mais de um mês.

A guerra elevou os preços do petróleo e de outras commodities globais, além de aumentar preocupações econômicas dentro dos Estados Unidos em meio à disputa eleitoral legislativa deste ano.

O governo americano teme que a inflação provocada pelo conflito afete o desempenho eleitoral do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato.

Pressão sobre Irã e Estreito de Ormuz

Washington exige que o Irã abandone seu programa nuclear e suspenda ameaças ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passavam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra, em fevereiro.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo americano quer que a China desempenhe um papel “mais ativo” para conter Teerã.

“Deixamos claro que qualquer apoio ao Irã seria prejudicial para nossa relação”, disse Rubio em entrevista à Fox News durante o voo presidencial para Pequim.

A China mantém relações próximas com o Irã e é uma das principais compradoras de petróleo iraniano. Apesar disso, analistas avaliam que Pequim possui influência limitada sobre as decisões militares e estratégicas de Teerã.

Mesmo sob pressão internacional, navios petroleiros chineses continuam atravessando o Estreito de Ormuz. Dados de rastreamento marítimo mostram que um superpetroleiro chinês transportando 2 milhões de barris de petróleo iraquiano cruzou a região nesta semana.

Conflito acelera rearranjo geopolítico

O conflito também provocou movimentações diplomáticas e militares no Oriente Médio. Israel afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu realizou uma visita secreta aos Emirados Árabes Unidos em março para discutir cooperação regional diante da guerra.

Segundo o governo israelense, o encontro teria representado um “avanço histórico” nas relações bilaterais. O governo dos Emirados, porém, negou que a reunião tenha acontecido.

O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, reagiu com críticas aos Emirados e alertou contra qualquer aproximação militar com Israel.

A Reuters também afirma que caças sauditas realizaram bombardeios contra milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, ampliando o envolvimento indireto de países do Golfo no conflito regional.

Trump tenta ampliar agenda com Xi

Além da guerra no Oriente Médio, Trump e Xi discutem temas como comércio bilateral, tarifas, Taiwan e segurança internacional.

Os dois governos tentam evitar uma nova escalada nas tensões comerciais iniciadas nos últimos anos, especialmente após as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos chineses e as restrições de Pequim às exportações de terras raras.

A visita também reúne empresários de grandes companhias americanas. Participam da delegação executivos como Elon Musk, da Tesla e da rede X, Tim Cook, da Apple, e Jensen Huang, da Nvidia.

Após o encontro, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que as negociações para encerrar a guerra avançam, mas ressaltou que a principal exigência de Trump continua sendo impedir que o Irã obtenha armas nucleares.

Teerã nega que busque desenvolver armamento nuclear.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: