Trump diz que deve fechar acordo com o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz na próxima semana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 1º, que espera concluir, na próxima semana, um entendimento para ampliar o cessar-fogo com o Irã e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz.
Segundo Trump, as negociações avançam para um acordo que envolva a extensão do período de trégua e a retomada da navegação na região. A declaração foi feita em entrevista à ABC News.
De acordo com o presidente norte-americano, um impasse que ameaçava interromper as conversas foi superado após uma nova escalada de tensão entre Israel e o grupo extremista Hezbollah, no Líbano. Trump também afirmou que as tratativas com Teerã seguem em ritmo acelerado.
"Então, conversei com o Hezbollah e disse para não dispararem, e conversei com Bibi [o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu] e disse para não dispararem, e ambos pararam de atacar um ao outro", disse.
O governo iraniano condiciona qualquer entendimento com os Estados Unidos à existência de um cessar-fogo efetivo no Líbano. Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, reforçou que a interrupção dos ataques é considerada necessária para o avanço das negociações.
"Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra".
Baghaei também acusou Washington de descumprir o cessar-fogo firmado com Teerã. Segundo o porta-voz, o Irã mantém a disposição de adotar medidas que considere necessárias para proteger sua segurança nacional.
Irã e Estados Unidos mantêm um cessar-fogo desde 7 de abril, embora tenham registrado ataques pontuais nas últimas semanas. Nesse cenário, o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto da produção global de petróleo, permanece fechado para a navegação.
O principal obstáculo das negociações continua sendo o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos defendem que Teerã assuma o compromisso de não desenvolver armas nucleares. Já o governo iraniano sustenta que essa questão não faz parte das discussões atuais.
Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)
Negociações entre Hezbollah e Israel
O governo do Líbano informou nesta segunda-feira que o Hezbollah aceitou suspender os ataques contra Israel em uma iniciativa articulada pelos Estados Unidos. O entendimento prevê que o grupo interrompa as ofensivas em troca da suspensão das operações israelenses nos subúrbios ao sul de Beirute.
O anúncio foi feito pela Embaixada do Líbano em Washington após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar na rede Truth Social que um acordo havia sido alcançado entre as partes para interromper os confrontos.
"As autoridades do Líbano receberam a confirmação da aprovação, por parte do Hezbollah, da proposta americana que estabelece um cessar-fogo mútuo nos ataques", declarou a embaixada do país em comunicado.
De acordo com a representação diplomática, a proposta apresentada por Washington estabelece que "cessariam os ataques israelenses contra os subúrbios ao sul de Beirute em troca de o Hezbollah se abster de realizar ataques contra Israel", ampliando o cessar-fogo para "todo o território libanês".
Segundo a embaixada, Trump conversou por telefone com a embaixadora do Líbano nos Estados Unidos, Nada Maawad, e informou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia concedido sua "aprovação" ao entendimento.
Após a ligação, Maawad transmitiu as informações ao presidente do Líbano, Joseph Aoun.
Nas últimas horas, Israel ampliou suas operações militares em território libanês e emitiu ordens de ataque contra áreas dos subúrbios de Beirute. Posteriormente, Trump afirmou que Netanyahu assumiu o compromisso de não enviar tropas à capital libanesa, enquanto o Hezbollah concordou em interromper os ataques contra o território israelense.
A nova escalada militar ocorreu mesmo com a existência de um cessar-fogo em vigor desde 17 de abril e às vésperas da quarta rodada de negociações entre Israel e Líbano. O Hezbollah, por sua vez, mantém oposição a esses contatos diplomáticos.
Hezbollah, grupo político e armado xiita com atuação no Líbano, figura entre os principais atores envolvidos nas negociações relacionadas ao cessar-fogo e à segurança na fronteira entre os dois países.
Efeitos no mercado do petróleo
A decisão de Israel e Hezbollah provocou reação imediata no mercado internacional de energia. O petróleo Brent, referência global, avançou 7%, ultrapassando os US$ 97 por barril.
De acordo com a agência semioficial Tasnim, os negociadores iranianos vão interromper “as conversas e a troca de documentos por meio de mediadores”. A informação foi atribuída a uma declaração cuja origem não foi identificada. A reportagem também afirmou que o Irã ameaçou bloquear totalmente o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.
Antes da suspensão, Washington e Teerã vinham trocando mensagens por canais indiretos sobre um possível acordo que estenderia o cessar-fogo por aproximadamente dois meses. Em troca, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz e os Estados Unidos retirariam restrições aos portos iranianos.
Trump afirmou anteriormente que ainda não havia recebido uma resposta oficial do Irã sobre os relatos envolvendo a interrupção das negociações. A declaração foi divulgada por um repórter da NBC em publicações nas redes sociais.
“Vamos simplesmente ficar em silêncio. Manteremos o bloqueio”, disse Trump em entrevista, segundo o repórter. “Isso não significa que vamos começar a bombardear tudo por lá.”
A agência iraniana semioficial Mehr informou, citando uma fonte de segurança em Teerã, que após a tentativa frustrada de reabrir o Estreito de Ormuz, “os EUA buscaram aumentar a pressão sobre a liderança de Teerã e capitalizar o período de cessar-fogo expandindo as operações militares no Líbano e em Gaza”.
Ainda segundo a Mehr, Estados Unidos e Israel tentaram estabelecer uma estratégia de “Líbano em troca de rendição”. A avaliação da agência é de que Washington acreditava que a ampliação das operações militares no Líbano e em Gaza levaria o Irã a “revisar seus cálculos”.
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