Trump diz ter boas relações com Lula e deseja encontrá-lo em Washington: 'Eu adoraria'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 27, que mantém boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e declarou que “adoraria” recebê-lo em Washington.
A declaração ocorreu na saída da Casa Branca, antes de embarcar para o Texas, quando foi questionado por uma repórter sobre a agenda de líderes da América Latina prevista para março, segundo a agência Reuters.
A comitiva que deve visitar a capital americana não inclui, até o momento, o presidente brasileiro. Ao ser perguntado se gostaria de recebê-lo na Casa Branca, Trump respondeu: “Eu me dou muito bem com o presidente do Brasil. Muito bem. Eu adoraria”, disse o republicano, sem detalhar a afirmação.
Visita de Lula a Washington
O presidente Lula afirmou nesta terça-feira, 24, que pretende viajar aos Estados Unidos em meados de março, mas ainda aguarda a confirmação oficial da agenda com o presidente norte-americano. Segundo Lula, a reunião com Donald Trump ainda não tem data definida, mas a expectativa é que ocorra por volta de 16 de março.
Lula indicou que pretende discutir com o presidente dos Estados Unidos temas ligados aos interesses do Brasil, ao multilateralismo e à democracia.
"Ainda não está marcada a reunião, acho que precisa ser lá pelo dia 16 de março, ou próximo a essa data, e quando tiver a reunião nós vamos conversar os assuntos", disse Lula em coletiva de imprensa, adiantando que pretende levar consigo nessa viagem representantes da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério da Fazenda para tratar do combate ao crime organizado.
No domingo, durante passagem pela Índia, o presidente já havia antecipado que pretende tratar com Trump de comércio, imigração, investimentos e cooperação entre universidades. A agenda bilateral deve incluir temas econômicos, migratórios e educacionais.
Recentemente, fontes com conhecimento das negociações informaram à agência Reuters que o governo brasileiro sugeriu a segunda quinzena de março como possível período para a viagem, com indicação da semana do dia 15. Até então, não havia resposta formal da Casa Branca sobre a proposta apresentada pelo Brasil.
Tarifaço dos EUA
Questionado sobre a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, na sexta-feira, que invalidou parte das tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos importados, Lula evitou comentar o caso.
Após a derrota na Corte, o republicano anunciou tarifas globais de 10% sobre importações que entraram em vigor nesta terça-feira, 24. O percentual é inferior aos 15% mencionados pelo presidente no sábado, 21, mas nenhuma diretriz oficial elevando a taxa foi publicada até o momento.
A medida foi formalizada por meio de ordem executiva assinada horas após a Suprema Corte bloquear parte das tarifas amplas impostas anteriormente com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA).
Desafios na diplomacia
As declarações públicas de aproximação entre os líderes ocorrem no momento em que o governo norte-americano formalizou a nomeação de um assessor com histórico de críticas ao atual governo brasileiro, segundo a agência de notícias Reuters.
O Departamento de Estado confirmou à agência que Darren Beattie assumiu o cargo de “assessor sênior para a política em relação ao Brasil”. A função envolve a formulação e o acompanhamento das diretrizes de Washington para Brasília. Beattie já está no posto, segundo autoridades ouvidas pela Reuters.
O nomeado esteve no centro de uma controvérsia durante a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos relacionada ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, Beattie classificou o ministro Alexandre de Moraes como “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”.
A designação ocorre em um contexto de interlocução sensível entre os dois países, com episódios recentes envolvendo decisões do STF e manifestações de integrantes do governo norte-americano sobre o cenário político brasileiro.
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