Trump eleva tensão com Irã e petróleo volta a disparar

Por Ana Luiza Serrão 11 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Trump eleva tensão com Irã e petróleo volta a disparar

O mercado de energia começou a semana em forte alta nesta segunda-feira, 11, depois que o presidente Donald Trump classificou como "inaceitável" a resposta do Irã à proposta de paz dos Estados Unidos.

A declaração deixou ainda mais longe as expectativas de reabertura do Estreito de Ormuz, que segue praticamente bloqueado e mantendo o mercado global de petróleo sob pressão desde o início do conflito.

Por volta das 7 horas, no horário de Brasília, o barril do Brent para julho subia 2,51%, negociado a US$ 103,83. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, avançava 2,35%, a US$ 97,66.

Petróleo passou dos US$ 105/barril hoje

O Brent chegou a tocar US$ 105,99, enquanto o WTI bateu US$ 100,37 nas máximas do dia, refletindo o receio crescente de problemas no abastecimento global de combustíveis, segundo informações da Reuters.

O movimento marca uma virada brusca em relação à semana passada, quando os contratos chegaram a cair diante da expectativa de um cessar-fogo entre os países.

Mesmo com a recente correção, o Brent ainda acumula alta de quase 64% em 12 meses. O contrato saiu de uma mínima de US$ 58,72 nas últimas 52 semanas para voltar ao patamar acima dos US$ 100.

E agora, com as negociações travadas, o mercado voltou a precificar um cenário mais agressivo para a oferta global, de acordo com fontes ouvidas pela agência.

Morgan Stanley: "corrida contra o tempo"

Para analistas do Morgan Stanley, o mercado entrou em uma "corrida contra o tempo", e junho deve ser o mês decisivo para definir o rumo dos preços.

No cenário-base do banco, Ormuz seria reaberto ainda neste mês, mantendo o Brent próximo de US$ 110 por barril neste trimestre. Mas, se o bloqueio avançar até julho, a projeção muda radicalmente e o petróleo pode saltar para uma faixa entre US$ 130 e US$ 150 por barril.

Até o momento, o banco esclareceu que o mercado só conseguiu evitar uma disparada ainda maior porque os EUA elevaram exportações em cerca de 3,8 milhões de barris por dia desde o início do conflito. Já a China reduziu importações em 5,5 milhões de barris diários.

Ormuz: mercado vê recuperação lenta

O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, afirmou que o mundo já perdeu cerca de um bilhão de barris de petróleo nos últimos dois meses e que o mercado ainda deve enfrentar um longo período de ajuste.

Em meio à escalada das tensões e às tentativas de destravar as negociações, o presidente Donald Trump viaja à China nesta quarta-feira, 13. A expectativa é que ele pressione Xi Jinping a aumentar a pressão diplomática sobre Teerã.

Na avaliação do analista da PVM Oil Associates, John Evans, ouvido pela agência, nada muda "antes da visita de Donald Trump à China, quando ele pedirá a ajuda de Pequim para pressionar o Irã."

"Apesar dos sinais tranquilizadores de que os canais de comunicação paralelos ainda estão abertos e as partes estão conversando, nossa avaliação é que os EUA e o Irã estão tão longe de um acordo quanto quando esse suposto cessar-fogo começou", acrescentou Evans.

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