Trump ordena que agências americanas abandonem Anthropic após divergências com Pentágono
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que órgãos do governo dos Estados Unidos interrompam o uso de soluções da Anthropic, em meio a um impasse com o Pentágono sobre as regras de aplicação da tecnologia de inteligência artificial. A decisão estabelece a suspensão do uso dos produtos da empresa por todas as agências federais, com prazo de transição de seis meses.
Trump afirmou que haverá um "período de transição" de seis meses para as estruturas federais que utilizam ferramentas da companhia, entre elas o Departamento de Defesa.
"Os lunáticos de esquerda da Anthropic cometeram um ERRO DESASTRESO ao tentar FORÇAR o Departamento de Guerra e obrigá-lo a obedecer aos seus Termos de Serviço em vez da nossa Constituição", publicou o presidente nas redes sociais. "Portanto, estou ordenando que TODAS as agências federais do governo dos Estados Unidos CESSAM IMEDIATAMENTE todo o uso da tecnologia da Anthropic."
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, havia fixado o prazo das 17h de sexta-feira para que a Anthropic autorizasse o uso irrestrito do chatbot Claude pelo Pentágono, dentro dos limites legais. A empresa manteve restrições quanto ao emprego da ferramenta para vigilância em massa contra cidadãos norte-americanos ou em sistemas de armamentos totalmente autônomos. O impasse se concentrou na aplicação dos Termos de Serviço da companhia frente às demandas operacionais do Departamento de Defesa.
A determinação presidencial repercute no Vale do Silício, onde empresas de tecnologia ampliaram investimentos em inteligência artificial e negociam contratos com o governo federal. A Anthropic é avaliada em US$ 380 bilhões e firmou cerca de US$ 200 milhões em contratos com as Forças Armadas dos EUA.
A empresa também operava, até recentemente, como o único sistema de IA autorizado a funcionar na nuvem classificada do Pentágono. A solução Claude Gov integra as opções utilizadas por militares em ambientes de dados sensíveis.
O movimento pode gerar reações entre executivos do setor. Profissionais de companhias como Amazon e Microsoft solicitaram que suas empresas revisassem exigências do Pentágono relacionadas ao uso irrestrito de modelos de IA. Na sexta-feira, o Wall Street Journal informou que o CEO da OpenAI, Sam Altman, comunicou a funcionários que a companhia dialoga com o Departamento de Defesa sobre a aplicação de seus modelos com restrições semelhantes.
"Gostaríamos de tentar ajudar a apaziguar a situação", escreveu ele em um memorando, segundo o jornal.
Na quinta-feira, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que a empresa manteria sua posição quanto às limitações de uso. A declaração provocou críticas públicas de Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, que escreveu que Amodei "é um mentiroso e tem complexo de Deus".
"Ele não quer nada mais do que tentar controlar pessoalmente as Forças Armadas dos EUA e não se importa em colocar a segurança da nossa nação em risco", escreveu Michael.
Na manhã desta sexta-feira, Michael declarou à Bloomberg que o departamento permanece disposto a negociar. "Desde que estejam agindo de boa fé, estamos sempre abertos ao diálogo", disse Michael. “Até esse prazo, estou aberto a mais conversas e já lhes disse isso.”
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