Trump passou imagem de que apoia Flávio Bolsonaro ao recebê-lo, diz Doria

Por Rafael Balago 10 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Trump passou imagem de que apoia Flávio Bolsonaro ao recebê-lo, diz Doria

Para João Doria, ex-governador de São Paulo, o fato de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter recebido Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca demonstra apoio de Trump à candidatura presidencial do senador brasileiro.

"Já estamos aqui em processo eleitoral, há um certo envolvimento do presidente americano nesse processo. Por isso, ele tomou a decisão de receber um dos candidatos ou pré-candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, no Salão Oval na Casa Branca. Isso confere uma manifestação de apoio dele a um pré-candidato à presidência da República", disse Doria, em conversa com jornalistas.

Doria disse que o fato de Trump receber um pré-candidato brasileiro é algo inédito, pois presidentes americanos não costumavam endossar candidatos brasileiros abertamente.

"Não se tem, na história recente, a imagem de um presidente em exercício nos Estados Unidos da América que tinha recebido um pré-candidato numa eleição presidencial. Um candidato que sequer é candidato formalizado, homologado. As convenções não foram feitas ainda", afirmou.

"Obviamente que isso incomodou o governo brasileiro e o presidente Lula, que também é pré-candidato. Eu hoje não vejo perspectivas de uma relação [entre os países] que possa ser estabilizada. Eu vejo uma perspectiva de uma relação que pode ser mais tensionada, o que é muito ruim", afirmou.

Após o encontro na Casa Branca, em maio, Flávio disse que não havia recebido apoio de Trump. "Não tem declaração de nada de apoio, como não deveria ter, como não poderia ter e como eu jamais pediria que isso acontecesse", disse. "Esse tipo de interferência não admitimos", afirmou.

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Donald Trump, em imagem divulgada pela campanha de Flávio (Divulgação)

Evento com cônsul dos EUA

Doria deu as declarações após um evento do Lide que reuniu empresários e o cônsul dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami. O americano disse, a uma plateia de empresários, que o mercado americano busca atrair as companhias brasileiras, apesar do momento de crise na relação entre os dois países.

"As portas dos Estados Unidos estão, mais do que nunca, abertas para o capital brasileiro. E não são só palavras. Nos Estados Unidos, a gente tem uma frase: 'money talks'", afirmou Murakami, em discurso no Seminário Econômico Lide EUA-Brasil, em São Paulo, nesta terça-feira, 9.

Em seguida, ele deu exemplos de investimentos e afirmou que as agências de fomento americanas estão atuando com mais intensidade. "Essas agências de desenvolvimento estão muito agressivas em gerar novos incentivos para o capital brasileiro", afirmou.

"Uma das principais prioridades do presidente Trump é atrair investimento estrangeiro. Então, temos uma tempestade perfeita para o capital brasileiro", disse.

O cônsul listou vários investimentos recentes de empresas brasileiras nos EUA, como um investimento de US$ 500 milhões da CBC Global Ammunition, em Oklahoma, e outro da JBS, com uma fábrica de linguiça em Iowa, no valor de US$ 135 milhões.

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