Trump prometeu paz, depois 'paz pela força' e agora foi à guerra
Em setembro de 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para alterar o nome de seu Departamento de Defesa, órgão que chefia as Forças Armadas. Ele virou Departamento de Guerra, para deixar claro que os Estados Unidos mudariam de postura. Em vez de apenas se defender, passariam a atacar.
A modificação para um nome que não era usado pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial marcou também uma virada na postura militar de Trump.
A partir de 2016, ele passou a prometer em campanha retirar os Estados Unidos de "guerras eternas" e foi um crítico duro das falhas americanas no Afeganistão e no Iraque. Seus discursos pediam, ainda, mais foco nos problemas internos, em vez de gastos no exterior.
Logo após a posse, em 2025, o discurso de evitar conflitos prosseguiu. "Vamos medir nosso sucesso não só pelas batalhas que vencemos, mas também pelas guerras que terminamos e, mais importante, pelas guerras em que nunca entramos. Isso se chama paz pela força", disse Trump, em um dos bailes da posse, em janeiro daquele ano.
A ideia era que o medo da força militar americana levaria outros países e grupos a evitar ataques aos Estados Unidos e aos seus aliados. Neste contexto, vieram ações pontuais para demonstrar esse poder.
Ataques em série
Nos meses seguintes, Trump acelerou os movimentos militares. Em junho, bombardeou centrais nucleares do Irã, junto com Israel. Depois, enviou uma enorme frota para a América Latina e, em janeiro, seus soldados invadiram a Venezuela e prenderam o presidente Nicolás Maduro. Em seguida, a frota foi para o Oriente Médio e se posicionou para atacar o Irã, o que ocorreu neste sábado, 28.
Nestas ações, Trump tem buscado mudanças de governo com o mínimo risco para os americanos. Não são invasões como a da Ucrânia, em que Vladimir Putin enviou centenas de milhares de soldados, mas sim uma série de ataques pontuais, ao menos até agora.
A perspectiva de soldados americanos invadindo o Irã em larga escala também tem sido negada por autoridades dos Estados Unidos. "A ideia de que vamos para uma guerra no Oriente Médio por anos, sem fim à vista, não tem chance de acontecer", disse o vice-presidente J.D. Vance, ao Washington Post, alguns dias antes do ataque.
No entanto, a ação deste sábado ainda tem fim incerto. O ataque atual visa a queda do regime iraniano, mas isso dependerá de outros fatores, como o comportamento da oposição e da população do Irã, a capacidade de resistência do governo e o apoio de grupos aliados, como o Hamas e o Hezbollah, atualmente bastante enfraquecidos.
Caso o regime resista, Trump terá de decidir se fará mais ataques e uma operação mais ampla ou se recuará e tentará voltar às negociações diplomáticas. Como em outras ocasiões, o líder americano deverá parar apenas quando tiver alguma conquista que possa apresentar como grande vitória.
Em junho, ele disse ter acabado com a capacidade do Irã de produzir armas nucleares. Não está claro agora qual poderá ser esse troféu.
Tudo indica que, caso consiga uma vitória de peso no Irã, Trump buscará novos alvos. Além do regime cubano já no radar há semanas, o presidente repetiu diversas vezes que pretende anexar o Canadá e a Groenlândia, inclusive divulgando mapas dos EUA que já incluem esses territórios estrangeiros. O avanço militar americano, portanto, parece estar longe de um fim.
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