Two Lost Kids: 'A gente se inspira muito mais fora da internet do que dentro'

Por Juliana Pio 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Two Lost Kids: 'A gente se inspira muito mais fora da internet do que dentro'

Entre referências de filmes, moda e do cotidiano, Thalita e Gabriela Zukerman transformaram o Two Lost Kids em um projeto que vai além do conteúdo digital. A dupla construiu uma linguagem visual própria, hoje acompanhada por mais de 555 mil pessoas só no Instagram. Ao longo de mais de uma década, as irmãs nascidas de Maringá (PR) ampliaram a atuação e passaram a assinar direção criativa, desenvolver parcerias com marcas internacionais e criar novos projetos autorais.

“A gente se inspira mais fora da internet do que dentro”, dizem as Two Lost Kids, em entrevista ao Marketing Trends, da EXAME. Gravado na Cinemateca, em parceria com o Meta Festival, o episódio também conta com a participação de Patrícia Colombo, vice-presidente de conteúdo da África Creative.

O Two Lost Kids parte de uma lógica autoral desde o início. A dupla começou em 2011, ainda na adolescência, quando identificou uma lacuna na produção de vídeos de moda, e desenvolveu uma estética própria baseada em composição visual, narrativa e referências que fogem do padrão das redes. Hoje, além do conteúdo, as duas atuam como diretoras e criativas em campanhas e projetos, mantendo o controle sobre linguagem e escolhas comerciais.

O projeto também acumula reconhecimento fora do Brasil. Em 2025, as irmãs foram as únicas brasileiras e latino-americanas a receber o Rings Award, premiação global do Instagram voltada a criadores, e passaram a ter um “like” personalizado na plataforma.

Ao longo da trajetória, também já firmaram parcerias com marcas como Chanel, Dior, Jean Paul Gaultier, Apple, Melissa e Havaianas, ampliando a atuação para além das redes e consolidando o Two Lost Kids como uma frente de negócio.

Para Thalita e Gabriela, o processo criativo está menos ligado a fórmulas e mais à construção de repertório. “Criatividade é um trabalho. Todos os dias a gente está pegando referências e tentando colocar de uma maneira diferente, para surpreender”, diz Thalita. “É muito das nossas vivências. Por isso a gente fala que é original”, reforça Gabriela.

A leitura das criadoras é que o cenário atual exige consistência e recorte, e não volume. “A gente não quer falar de tudo. Se não, fica muito louco. A gente prefere focar no que conecta com a gente. “Não tem fórmula. O principal é buscar fora do que você está acostumado a ver.”

A construção de repertório fora das redes aparece como parte do processo criativo. Segundo elas, referências vêm de filmes, exposições, museus e observação do cotidiano — de elementos simples a ideias mais elaboradas.

“Tudo vira uma grande biblioteca para depois a gente buscar essas referências”, afirmam. “Um tomate pode virar inspiração. A gente já fez vídeo com tomate.”

Essa lógica também orienta a relação com marcas. Desde o início, a dupla afirma ter recusado projetos que não estavam alinhados ao posicionamento. “Por causa dos ‘nãos’, a gente conseguiu construir uma linguagem reconhecível”, diz Gabriela. “Se não tem a ver com você, precisa dizer não. Senão perde credibilidade”, completa Thalita.

Assista à entrevista completa abaixo

Do lado das marcas, essa mesma lógica de recorte e consistência aparece sob outra perspectiva. Para Patrícia Colombo, vice-presidente de conteúdo da África Creative, o ambiente mais fragmentado não só ampliou as possibilidades criativas, como também tornou a operação mais complexa.

“Hoje o mainstream mudou. Às vezes a gente vê criadores com milhões de seguidores que a gente nunca ouviu falar, mas que são muito relevantes dentro de uma comunidade”, afirma.

Nesse cenário, segundo ela, o papel das marcas passa por uma leitura mais precisa de público, a partir de dados e objetivos de negócio. “O desafio é entender os interesses do target e construir uma comunicação que faça sentido dentro dessas comunidades, de forma genuína e alinhada aos valores da marca.”

Ao mesmo tempo, a executiva chama atenção para o risco de diluição de mensagem diante do volume de conteúdo. “A gente não acredita em entrar em qualquer conversa. Isso vira ruído. Cada vez mais, é preciso ter critério na execução criativa para construir relevância cultural.”

A discussão também passa por como o mercado enxerga o papel dos criadores. Para Colombo, ainda há um descompasso na forma de mensurar esse trabalho. “O creator não é um asset de mídia. Existe uma camada qualitativa que ele entrega, que não pode ser comparada a um anúncio tradicional.”

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