Ucrânia começa negociações para entrada na União Europeia
A União Europeia iniciou nesta segunda-feira, 15, a primeira fase das negociações para a entrada da Ucrânia no bloco. O momento é considerado histórico por Kiev, que busca aproximar o país das estruturas políticas e econômicas ocidentais enquanto enfrenta o quarto ano da guerra com a Rússia.
"Para nós, este é realmente um Rubicão, um marco", afirmou o vice-primeiro-ministro ucraniano Taras Kachka após o início das conversas em Luxemburgo, de acordo com a Reuters. Segundo ele, a entrada na União Europeia é vista pela sociedade ucraniana como um objetivo central.
O processo de adesão, porém, deve ser longo e complexo, com a necessidade de reformas internas e aprovação dos países-membros. A Turquia, por exemplo, tem sua proposta de adesão ao bloco em trâmite desde 1987, estando travada desde 2016. No leste-europeu, a Polônia, vizinha da Ucrânia, levou dez anos para finalizar seu processo de adesão.
A abertura das negociações ocorre em meio aos esforços diplomáticos para encerrar a guerra no território ucraniano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, durante a cúpula do G7 na França, que acredita ser possível avançar em uma solução para o conflito após conversas com os presidentes da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e da Rússia, Vladimir Putin.
"Talvez possamos fazer algo ali. Realmente acredito nisso, de verdade. Ambos estão abertos a isso", disse Trump durante uma reunião bilateral com o presidente francês Emmanuel Macron antes do encontro dos líderes do grupo das sete maiores economias industrializadas, em Evian.
Processo de adesão exige reformas
O primeiro conjunto de negociações aberto pela União Europeia envolve o chamado grupo de "fundamentos", que inclui temas como funcionamento das instituições democráticas, sistema judiciário e regras de contratação pública. Para avançar no processo, a Ucrânia terá de adaptar sua legislação aos padrões do bloco europeu.
A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, afirmou que o país está construindo seu caminho para uma "Ucrânia próspera e segura dentro da União Europeia", mas ressaltou a necessidade de continuidade das reformas.
A decisão de iniciar as negociações havia sido tomada pelos líderes europeus em dezembro de 2023, junto com a abertura do processo para a Moldávia. O avanço, porém, ficou parado devido à oposição do governo húngaro anterior à entrada ucraniana.
Neste mês, um acordo entre Budapeste e Kiev sobre os direitos da minoria húngara na Ucrânia permitiu a retirada do bloqueio. Apesar do apoio político de diversos governos europeus, a Reuters afirma que diplomatas avaliam que a candidatura ucraniana será uma negociação extensa, já que a adesão exige o cumprimento de diversos critérios e a aprovação dos Estados-membros.
Trump tenta pressionar por acordo com Putin
A abertura das negociações europeias acontece enquanto líderes do G7 tentam convencer Trump a manter a pressão sobre Moscou para aceitar um acordo de paz favorável à Ucrânia. Zelensky deve participar da cúpula nesta terça-feira, 16.
O presidente ucraniano afirmou que propôs a Trump a realização de uma reunião com Putin nos Estados Unidos, em um formato que, segundo ele, dificultaria uma recusa do líder russo.
"Discutimos ontem com o presidente Trump que tal reunião poderia ser organizada nos EUA, em um formato no qual Putin teria muito mais dificuldade de recusar", disse Zelensky em uma mensagem publicada nas redes sociais. "Veremos o que acontece."
Segundo o ucraniano, Moscou ainda não estaria preparada para negociar o fim da guerra. No mesmo dia, um novo ataque russo contra a Ucrânia deixou ao menos 11 mortos e atingiu especialmente Kiev, onde a Catedral da Dormição, um dos principais símbolos religiosos da capital, foi danificada por um incêndio.
Trump afirmou, porém, que vê uma possibilidade de avanço após suas conversas com os dois líderes.
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