Um incêndio no carnaval deu origem a um supermercado de R$ 2,5 bilhões no RN

Por Daniel Giussani 7 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Um incêndio no carnaval deu origem a um supermercado de R$ 2,5 bilhões no RN

O varejo alimentar do Rio Grande do Norte é um dos mais consolidados do Nordeste.

O cenário é dominado por redes locais, com tradição em mercados de bairro e capacidade de adaptação ao avanço dos atacarejos, formato híbrido entre atacado e varejo.

Na liderança está o Supermercado Nordestão, que faturou 2,5 bilhões de reais em 2025 e ocupa a 45ª posição no Ranking ABRAS 2026. O número equivale a quase 40% do total somado pelas oito maiores redes do estado, que chegaram a 6,6 bilhões de reais.

O Nordestão inaugurou em janeiro de 2026 uma nova loja conceito na Rota do Sol, em Natal, e prevê chegar a 10 inaugurações até 2027 — movimento que combina ocupação remanescente em Natal com avanço sobre a Paraíba e o Litoral Sul potiguar.

O futuro da rede passa pela combinação entre expansão geográfica e sucessão familiar. A terceira geração da família Medeiros já está envolvida nas decisões de gestão, com formação em fóruns de governança e empresas familiares. A rede opera hoje com 13 lojas no estado, — nove varejos e quatro atacarejos —, e cerca de 4.000 colaboradores.

Quais são os 8 maiores supermercados do Rio Grande do Norte

A história começa em 1958, quando Leôncio Etelvino de Medeiros, agricultor e comerciante, deixou a cidade de Cruzeta, na região do Seridó, e se mudou para Natal. Ele adquiriu cinco pontos comerciais no antigo Mercado Público da capital potiguar e começou a operar como atacadista.

A virada veio em 1967, com o incêndio que destruiu o mercado público de Natal — a família transferiu a operação para dentro de casa em três dias e seguiu vendendo.

O Nordestão como rede de supermercados foi fundado em 15 de setembro de 1972, no bairro do Alecrim. O nome veio de uma pesquisa de opinião pública feita em parceria com o Diário de Natal, em que se pediu à população que sugerisse um nome representativo do "Nordeste vencedor". Ainda no Alecrim, a família operava atacado e varejo no mesmo espaço — modelo que seria batizado anos depois como atacarejo, mas que já existia ali antes de o conceito virar tendência no Brasil.

A expansão se deu nos anos 1970 e 1980, com lojas em Petrópolis (1975), Lagoa Nova (1976), Cidade Jardim (1978) e Santa Catarina (1981). A rede se consolidou como uma das maiores do Nordeste e, segundo dados de 2014 da Nielsen, chegou a controlar 62% das vendas do segmento no Rio Grande do Norte.

Em 2012, o grupo entrou no atacarejo com a bandeira SuperFácil, inaugurando a primeira unidade no estado. O passo decisivo veio em 2021, com a abertura do primeiro SuperFácil fora do Rio Grande do Norte, em João Pessoa, na Paraíba — primeira saída do grupo do território potiguar em quase 50 anos.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: