Uma IA com 1 trilhão de parâmetros: o plano fruto da união de gigantes japonesas
A SoftBank estruturou uma nova empresa no Japão para desenvolver inteligência artificial voltada à chamada IA física, sistemas capazes de controlar máquinas e robôs de forma autônoma. O projeto reúne oito grandes grupos industriais e financeiros e pretende criar um modelo com cerca de 1 trilhão de parâmetros até o fim da década, segundo informações do jornal japonês Nikkei.
Entre os investidores estão NEC, Honda Motor, Sony Group e três megabancos japoneses, MUFG, Sumitomo Mitsui e Mizuho, além de siderúrgicas como Nippon Steel e Kobe Steel. A desenvolvedora Preferred Networks, empresa japonesa especializada em IA, participará da construção do modelo.
A iniciativa busca integrar dados multimodais, como imagens, vídeos, áudio e texto, para aplicação direta em ambientes industriais. A meta é permitir a colaboração entre humanos e máquinas em fábricas até o ano fiscal de 2030, ampliando o uso de IA em processos produtivos.
O plano inclui a criação de um consórcio para difundir o modelo no mercado. A estratégia envolve adaptar dados setoriais, de áreas como finanças, automotiva e materiais, ao sistema, ampliando o uso prático da tecnologia em diferentes indústrias. O projeto também deve solicitar apoio público por meio da NEDO, agência japonesa de fomento tecnológico, dentro de um pacote estimado em ¥1 trilhão nos próximos cinco anos.
Disputa global e preocupação com dados sensíveis
O movimento ocorre em meio à liderança de Estados Unidos e China no desenvolvimento de modelos fundacionais, ou foundation models, grandes sistemas de IA treinados com volumes massivos de dados. Empresas japonesas vêm adotando soluções estrangeiras, como as da OpenAI, da Anthropic e da chinesa Alibaba.
Esse cenário levanta preocupações sobre segurança da informação. À medida que sistemas de IA passam a operar dados sensíveis — como o funcionamento de equipamentos industriais — cresce o receio de vazamento para fora do país.
Como resposta, a SoftBank também planeja construir um data center, centro de processamento de dados, em Osaka. A instalação será baseada em uma antiga fábrica de painéis LCD adquirida da Sharp e equipada com GPUs, unidades de processamento gráfico de alto desempenho.
A proposta é manter todo o processamento de dados em território japonês, reduzindo riscos de exposição e permitindo o uso da IA em setores que lidam com informações confidenciais. Na prática, a infraestrutura deve sustentar o avanço da chamada IA física, especialmente em máquinas industriais e robótica avançada.
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