Uma nova estatal de petróleo na B3? Ecopetrol formaliza proposta por controle da Brava
A Brava Energia, empresa oriunda da fusão entre 3R Petroleum e Enauta, poderá vir a ser mais uma estatal do petróleo listada na B3. A Ecopetrol, controlada em 88% pelo governo da Colômbia, formalizou oferta pública para adquirir o controle da companhia. Antes de chegar aos acionistas, a proposta precisa passar pelo crivo do conselho de administração da Brava, que tem até o dia 9 de junho para emitir um parecer formal, recomendando ou não a aceitação da oferta. Segundo o edital, a ausência de manifestação do conselho não invalida a oferta nem impede os acionistas de aderirem.
A proposta
A operação está estruturada em duas partes e a primeira já está resolvida. A Ecopetrol fechou um acordo privado com três grandes fundos acionistas da Brava — Jive, Yellowstone e o grupo Quantum/Somah — para comprar cerca de 26% das ações por R$ 24 cada. Esse contrato já está assinado e é irrevogável.
A segunda parte é a oferta pública de aquisição (OPA). Para chegar aos 51% necessários para o controle, a Ecopetrol precisa de mais 25% das ações. A colombiana está oferecendo R$ 23 por cada uma delas a qualquer acionista que queira vender. O leilão está marcado para 25 de junho na B3, com pagamento previsto para 7 de julho.
Se não houver adesões suficientes para completar os 51%, a operação toda cai. A Ecopetrol não assume o controle e o acordo com os fundos também não se concretiza.
Em resumo: os grandes fundos que venderam de forma privada recebem R$ 24,00 por ação, enquanto os acionistas comuns receberão R$ 23 no leilão público. O valor patrimonial da Brava, segundo o balanço de março de 2026, é de R$ 24,56 por ação.
O que muda para a Brava
A Brava passaria a ser controlada indiretamente pelo governo colombiano, numa mudança estrutural relevante para uma empresa que hoje não tem um dono definido. Na prática, decisões estratégicas como investimentos, dividendos e escolha de executivos passariam a ter a influência de uma estatal estrangeira.
A Ecopetrol sinalizou que pretende manter a Brava listada na bolsa e no segmento Novo Mercado por pelo menos um ano, sem cancelar o registro da companhia.
Do ponto de vista operacional, segundo o BTG Pactual, a colombiana quer aplicar técnicas avançadas de recuperação de petróleo nos campos maduros da Brava — área em que tem experiência consolidada na Colômbia — e potencialmente reduzir o custo da dívida da empresa, aproveitando seu perfil de crédito mais robusto.
O complexo industrial de Guamaré, no Rio Grande do Norte, que inclui uma refinaria, unidades de processamento de gás e um terminal aquaviário, deve permanecer como ativo estratégico central, segundo o banco.
O que o mercado achou
Para o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), a discussão sobre preço justo fica em segundo plano diante de uma oportunidade mais imediata. Com as ações da Brava sendo negociadas a cerca de R$ 19,93 na bolsa e a Ecopetrol oferecendo R$ 23, o banco enxerga uma janela de arbitragem expressiva para investidores de curto prazo.
Quem comprar BRAV3 agora e participar do leilão em junho embolsa a diferença. O complicador é que a oferta é limitada. Se muita gente quiser vender, cada acionista consegue se desfazer apenas de uma fração das suas ações, ficando com o restante ao preço de mercado.
O banco estima que cada acionista conseguirá vender entre 40% e 45% de suas ações a R$ 23, porque alguns investidores relevantes, como o Bradesco, provavelmente não vão aderir à oferta.
Fazendo essa conta, o BTG chegou a um retorno anualizado de 68% para quem fizer a operação. A recomendação do banco para BRAV3 é de compra, com as ações negociadas a R$ 19,93 na data do relatório.
Para a operação não acontecer, seria preciso que o Cade bloqueasse a fusão, que os detentores de debêntures da Brava se recusassem a liberar a mudança de controle, ou que algum evento grave afetasse a empresa antes do leilão. O BTG considera esses riscos baixos. Há ainda a possibilidade de uma oferta concorrente. Qualquer interessado teria até 15 de junho para protocolar uma proposta com preço mínimo de R$ 24,15 por ação.
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