Uma Reserva paulistana? Conheça a marca de moda Austral

Por Ivan Padilla 27 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Uma Reserva paulistana? Conheça a marca de moda Austral

Um grupo de jovens amigos se junta para fazer bermudas e camisetas para os amigos. As primeiras coleções se esgotam e o que era uma brincadeira vira assunto sério, na forma de uma marca de roupas com portfólio variado, lojas em shopping centers e faturamento de milhões.

Parece até a história da Reserva, a marca de moda fundada por Rony Meisler e Fernando Sigal no Rio de Janeiro no começo dos anos 2000. Mas estamos falando aqui da Austral, fundada há dez anos por adolescentes que estudavam no Colégio Santa Cruz, em São Paulo.

“Começamos de forma pequena, orgânica e verdadeira, construindo nossa base inicialmente a partir de uma comunidade de family & friends”, diz Felipe Bacellar, sócio fundador e principal rosto da marca.

A Austral está presente hoje em sete shopping centers e faturou R$ 30 milhões em 2025. Por ano, são vendidas cerca de 200.000 peças, produzidas quase todas no Brasil por fábricas e oficinas homologadas e certificadas.

Colaborações com outras marcas

As semelhanças com a Reserva param por aí. Enquanto Rony e Fernando saíam de carro para vender suas bermudas e camisetas, a Austral nasceu digital. “Primeiro construímos nossa narrativa e nossa base de clientes online, para só depois migrar para o varejo físico”, conta Bacellar.

Sair do digital para ocupar espaços nos principais shoppings de alto padrão de São Paulo foi um sinal de que a empreitada estava dando certo. “A entrada no Shopping Iguatemi validou que o que estávamos construindo tinha força real de mercado. Chegamos a atingir a maior venda por metro quadrado do nosso segmento por lá.”

Hoje, a Austral conta com sete lojas físicas no Brasil. Outras três devem ser inauguradas no primeiro semestre de 2026. Ao longo desse caminho, o portfólio foi se expandindo. As camisetas gráficas deram lugar a camisas de linho, casacos de moletom, overshirts.

Mais recentemente, a Austral construiu colaborações com outras marcas. A collab com a cerveja Corona, segundo Bacellar, traduziu o espírito livre e solar. A parceria com a Duotone, principal marca alemã de equipamentos de kitesurf, nasceu da conexão com o esporte, inspiração para a Austral desde sua origem.

Este ano eles assinaram uma colaboração com o Mubadala Brazil SailGP Team, primeira equipe sul-americana a competir no Rolex SailGP Championship e pioneira ao ter uma pilota, a bicampeã olímpica brasileira Martine Grael. “Em nenhum caso foi coincidência”, diz Bacellar. “Foram essas marcas que procuraram a Austral pelo que ela representa. São parcerias com abrangência internacional, construídas sobre identidade e estilo de vida, e não necessariamente sobre visibilidade.”

Acompanhe a entrevista com Felipe Bacellar.

Como teve a ideia da marca?

A Austral nasceu de uma vivência muito real e recorrente na minha vida. Surfe, kitesurfe, trekking, snowboard, esses esportes sempre foram minha forma de escapar do ambiente urbano. E ai veio a vontade de transformar esse estilo de vida em moda. Tínhamos dificuldade em encontrar uma marca que traduzisse esse universo outdoor de uma maneira que nos representasse. A Austral nasceu nesse espaço. São peças que funcionam no dia a dia da cidade, mas que carregam na estética, nos materiais e na comunicação uma referência clara à natureza, à aventura e à liberdade.

Já tinha alguma familiaridade com moda?

Minha avó imigrou para o Brasil e começou na confecção. Meu pai cresceu dentro desse ofício e trabalhou a vida toda no setor têxtil. Cresci próximo desse ambiente, das fábricas e das conversas sobre produção. A moda se apresentou como um caminho natural para imprimir esse estilo de vida que nos representava.

Como foi a evolução societária?

A Austral nasceu como um projeto de um grupo de amigos que estudaram juntos no Colégio Santa Cruz. Mantivemos uma estrutura enxuta por bastante tempo, o que nos deu agilidade e fidelidade ao DNA original da marca, comigo e com o Joaquim Barros nos dividindo entre as funções administrativas e criativas. Dos fundadores, sou o único que continua à frente da marca. Em 2025, dois novos sócios entraram para a estrutura, Alexandre Brett e David Bobrow. Eles vieram com o objetivo de estruturar a empresa para viabilizar os próximos passos da marca em nível nacional e internacional.

Vocês receberam aportes?

A Austral sempre se desenvolveu de maneira independente, sem fundos, grupos ou aportes externos relevantes. Desde o início, fomos felizes em construir uma marca capaz de se autossustentar, de realizar suas próprias ambições com as próprias mãos. Quando os novos sócios entraram em 2025, não foi para acelerar a qualquer custo ou apostar em uma escala rápida com resultados incertos, foi para estruturar melhor o que já estava funcionando e dar passos mais precisos e consistentes.

Quais são os próximos passos?

No momento, estamos presentes no Shopping Iguatemi SP, JK Iguatemi, Shopping Pátio Higienópolis, Morumbi Shopping, Catarina Fashion Outlet, Iguatemi Alphaville e Ribeirão Shopping em Ribeirão Preto. O próximo ciclo passa por quatro frentes. O primeiro é a expansão nacional, com abertura de mais três lojas, em Recife, Balneário Camboriú e Boa Vista Village. Queremos entrar em pontos multimarcas selecionados, garantindo presença em cidades importantes do país. Vamos consolidar novas linhas de produto, como os calçados; e tem a internacionalização. Este ano, já demos os primeiros passos na Europa com 12 pontos de venda em Portugal e presença em três showrooms, no Porto, em Lisboa e em Madrid. Em dois a três anos, quero que a Austral seja reconhecida não pelo número de lojas, mas pelo modo de viver que representa, que seja uma marca brasileira com identidade global.

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