Universo pode estar expandindo mais rápido do que a ciência previa, diz estudo
Uma nova medição da chamada taxa de expansão do Universo indicou que o cosmos pode estar crescendo cerca de 10% mais rápido do que preveem os modelos atuais da cosmologia.
O resultado, publicado pela revista Astronomy and Astrophysics, considera o cálculo mais preciso já realizado para a constante de Hubble, reforça uma das principais divergências da física moderna e sugere que fenômenos ainda desconhecidos podem estar influenciando a evolução do Universo.
Segundo a astrofísica Caroline Huang, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, a nova medição representa o cálculo mais preciso já feito para essa taxa.
Como é feita a medição
Desde o Big Bang, o Universo está em expansão contínua, fazendo com que galáxias se afastem umas das outras ao longo do tempo. Essa velocidade é descrita pela constante de Hubble, um dos parâmetros mais importantes da cosmologia.
Os pesquisadores confirmaram que quanto maior a distância de uma galáxia, maior a sua velocidade de afastamento. Uma galáxia localizada a cerca de 3 milhões de anos-luz, por exemplo, se afasta a aproximadamente 74 quilômetros por segundo. Já outra, ao dobro dessa distância, pode atingir cerca de 145 quilômetros por segundo.
Apesar desses valores elevados, a expansão é quase imperceptível em escalas menores. Em um espaço equivalente ao tamanho de um campo de futebol, levaria mais de 1 milhão de anos para ocorrer uma expansão de apenas 1 centímetro.
Resultado desafia o modelo atual da cosmologia
O resultado obtido entra em conflito com o modelo padrão que descreve a evolução do Universo. A diferença de cerca de 10% é considerada significativa e indica que pode haver lacunas nas teorias atuais.
De acordo com o astrofísico Stefano Casertano, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, a discrepância sugere que “provavelmente há algo faltando no modelo atual”. Entre as hipóteses levantadas estão a influência da matéria e da energia escuras, elementos fundamentais para explicar a estrutura e o comportamento do cosmos, mas que ainda não são totalmente compreendidos.
O que a descoberta pode mudar no futuro do Universo
A discrepância na taxa de expansão também levanta questionamentos sobre o futuro do Universo. A teoria mais aceita atualmente prevê a chamada “morte térmica”, um cenário em que as estrelas se apagam gradualmente e o Universo se torna frio e escuro ao longo de trilhões de anos.
No entanto, se os modelos utilizados estiverem incompletos, essas previsões podem precisar ser revisadas. Isso abre espaço para novas interpretações sobre o destino do cosmos.
De acordo com o pesquisador Dillon Brout, da Universidade de Boston, a existência dessa falha nos modelos impede previsões mais seguras sobre o destino do cosmos. “Não podemos afirmar com precisão o que acontecerá”, indicou o cientista ao comentar os resultados.
Para os cientistas, o novo resultado reforça que ainda há muito a ser descoberto sobre as leis que governam o Universo em larga escala. Pequenas diferenças em medições como essa podem indicar a existência de novos fenômenos físicos.
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