UPL nomeia novo CEO no Brasil em meio a avanço global e pressão no agro
A UPL, empresa do setor agroquímico e de biossoluções, abre um novo capítulo no Brasil nesta quinta-feira, 2, em um momento que combina melhora nos resultados globais e um ambiente mais apertado para o produtor rural.
É nesse contexto que Cristiano Figueiredo assume o comando da operação brasileira, com a responsabilidade de liderar um dos mercados mais estratégicos para a companhia. O executivo substitui Rogério Castro, que segue como consultor no processo de transição.
A importância da região ajuda a dimensionar o desafio. A América Latina responde por 38% do faturamento global da UPL — ainda que a empresa não detalhe o peso específico do Brasil — e concentra boa parte do potencial de crescimento da companhia.
O cenário financeiro recente reforça o momento de transição. Com receita anual superior a US$ 5,2 bilhões, a UPL registrou, no terceiro trimestre de 2025, crescimento de 13% no Ebitda e de 90% no lucro antes de impostos, impulsionada por ganhos de eficiência e melhora no portfólio.
A troca de comando acontece enquanto a multinacional conduz uma reorganização global de sua estrutura. Segundo Figueiredo, porém, os movimentos não estão conectados. “O Brasil é extremamente importante para a organização, mas não existe conexão com essa movimentação global”, afirmou em entrevista à EXAME.
Ao assumir, o novo CEO terá como principal missão garantir estabilidade em meio às incertezas. A prioridade é assegurar que o agricultor tenha acesso aos insumos adequados, no tempo certo e com previsibilidade de custos, mesmo diante de um ambiente global mais volátil.
Engenheiro agrônomo com 26 anos de experiência no setor, ele chegou à UPL em 2018 e, desde então, acumulou passagens por áreas-chave como vendas, marketing e operações. Em 2021, assumiu a diretoria comercial da operação brasileira, ampliando sua participação na condução do negócio.
A ascensão ao cargo, segundo ele, foi resultado de um planejamento de longo prazo. “Nós planejamos muito bem essa transição, sem risco de interrupção dos negócios”, disse.
À frente da companhia no país, Figueiredo pretende aprofundar a estratégia de inovação, com foco no desenvolvimento e lançamento de novas tecnologias para diferentes culturas. O portfólio inclui tanto produtos químicos quanto biológicos, com soluções voltadas a culturas como soja, milho, frutas e pastagens.
A aposta é que a combinação dessas tecnologias ajude o produtor a aumentar a produtividade com mais sustentabilidade e, ao mesmo tempo, melhorar a rentabilidade.
Outro eixo da gestão será a proximidade com o campo. A ideia é reduzir a distância entre a empresa e o cliente final, trazendo as demandas do campo para dentro da estratégia de inovação.
“O nosso bem mais precioso é o agricultor brasileiro. Nós temos que estar próximos dele”, afirmou.
RJ no agro
Figueiredo assume, no entanto, em um momento sensível para o agronegócio. Produtores enfrentam margens pressionadas, custo de capital elevado e preços de commodities menos atrativos — um cenário que tem levado ao aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor.
Diante disso, o acesso a crédito e a oferta de insumos ganham ainda mais relevância. A UPL atua como uma das financiadoras do agro e busca ajustar sua atuação para manter o fluxo de negócios. “Temos um diálogo muito aberto para entender como podemos cocriar soluções para cada parceiro”, disse.
A estratégia inclui também o fortalecimento de parcerias e o avanço da joint venture com a Bunge, a Orígeo, que oferece uma solução integrada ao produtor, combinando insumos, serviços e comercialização.
Para Figueiredo, o principal desafio no curto prazo será equilibrar variáveis que fogem ao controle da porteira: custo financeiro elevado e preços agrícolas mais baixos. A equação será determinante para viabilizar a próxima safra.
Enquanto isso, a companhia segue atenta ao cenário internacional, especialmente às tensões no Oriente Médio, buscando evitar impactos no fornecimento e garantir previsibilidade ao agricultor brasileiro.
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