Vale aposta na eletrificação: 'Processo passa pelo cobre', diz CEO
Qualquer analista de mercado que fale sobre a tese da Vale hoje entra, necessariamente, no tema dos metais críticos. O “tesouro escondido” com cifras modestas perto dos números pujantes do minério de ferro. Se hoje a produção de cobre tem brilho próprio nas análises de ações, é graças ao envolvimento da atual gestão na reestruturação que separou os negócios e destravou valor para ambos.
Em entrevista exclusiva à EXAME, o CEO Gustavo Pimenta revela que alguns projetos da atual Vale Base Metals estavam emperrados havia 18 anos. Agora, além de ser reconhecida no mundo pela produção do minério, a companhia quer ser notada globalmente pela produção metálica.
Veja a entrevista completa:
Quando foi que a Vale percebeu que a divisão de metais funcionaria melhor como um negócio apartado?
Eu me envolvi muito com esse negócio de metais de transição desde a minha chegada, até antes de me tornar CEO. A gente enxergava um grande potencial de geração de valor, mas precisava fazer algum dever de casa. Entendemos que era hora de dar foco aos metais, sem desfocar o minério, criando uma organização que pudesse se dedicar exclusivamente ao desenvolvimento desse negócio. Criamos um conselho de administração, separamos a gestão, trouxemos um presidente e mudamos, inclusive, os sistemas de incentivo. Quase três anos depois, vemos que essa estratégia deu muito certo.
As coisas saíram conforme o esperado?
O negócio está com um desempenho operacional que talvez seja o melhor da nossa história. Entregamos acima do guidance de produção e custos abaixo das projeções. Era uma condição necessária para que pudéssemos sonhar com voos mais altos e colocar nossa agenda de crescimento em ação.
A separação também trouxe algum benefício para a operação de minério de ferro?
Eu sempre dou o exemplo do meu antigo responsável pela área de projetos. Essa pessoa cuidava de um projeto no norte do Canadá e, simultaneamente, de um projeto em Carajás. Obviamente, esse não era o melhor desenho. Os dois negócios ganharam foco de gestão. E a Vale, como holding, continua dando os direcionamentos estratégicos. Continuamos dizendo o que queremos, o que não queremos, qual é a visão de longo prazo. Isso continua sendo um direcionamento da matriz.
Como a companhia identifica e desenvolve oportunidades em cobre?
Há muito tempo identificamos oportunidades de crescimento em Carajás, mas não tínhamos nos estruturado da melhor forma para capturar esse benefício. Alguns dos projetos que desenvolvemos hoje já estavam na carteira em 2008. Carajás ficou subdesenvolvido do ponto de vista do cobre. O potencial dali é enorme. Triplicamos o volume de investimento em exploração para conhecimento dos corpos minerários. Trouxemos pessoas especialistas em desenvolvimento desse tipo de metal, de todo o mundo.
Por que o cobre ocupa um papel tão central nessa estratégia de crescimento?
Temos uma visão muito positiva em relação ao posicionamento do cobre no médio e longo prazo. A gente vai reduzir as emissões de carbono a partir do momento em que eletrifica o mundo, e isso passa necessariamente pelo metal, que não tem substituto direto. Tem sido desafiador trazer novas minas e desenvolver novos projetos. As grandes minas de cobre hoje estão perdendo teor. Há uma equação de oferta e demanda muito favorável.
Quanto essa diversificação também facilita a interlocução com o poder público para a obtenção de licenças ambientais, por exemplo?
O Brasil tem um potencial minerário muito grande. Por isso acho que a oportunidade de desenvolver, acelerar e posicionar o país e a Vale na oferta desses minerais é única. Essa agenda também coincide e favorece o diálogo com os governos, sejam estaduais, seja federal, porque gera investimento. A Vale é uma empresa que emprega muito, paga muito imposto e gera muito resultado positivo para o país.
A Vale pretende ampliar seu portfólio de produção?
Pelo tamanho da companhia, pela nossa relevância e por estarmos aqui no Brasil, que tem um enorme potencial, estamos sempre avaliando se faz sentido introduzir uma quarta commodity no nosso portfólio. Mas eu diria que, com base nos exercícios que temos feito e na análise aprofundada de oferta, demanda e fundamentos de longo prazo, nossa visão hoje é de que a melhor alocação de capital e as melhores oportunidades estão naquilo que conhecemos.
A companhia quer ser líder na produção de minério de ferro. Quais são as ambições da VBM com os metais?
O que está colocado é pelo menos dobrar a nossa capacidade de produção de cobre, e seguimos avaliando se dá para fazer mais do que isso. Precisamos concluir estudos para nos sentirmos confortáveis em colocar outro guidance para o mercado. Mas vejo a Vale sendo protagonista nesse segmento. Partimos de uma base mais baixa, mas talvez tenhamos o maior potencial de crescimento da indústria. Do ponto de vista de crescimento, não vejo ninguém — nem entre nossos principais concorrentes — com um pipeline tão robusto quanto o nosso. Nosso trabalho agora é entregar esses projetos, desenvolvê-los e acelerar esse desenvolvimento. Isso nos colocará no ranking das principais empresas de cobre do mundo.
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