Vale sente efeitos da aversão ao risco e cai mais de 5% no Ibovespa

Por Clara Assunção 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Vale sente efeitos da aversão ao risco e cai mais de 5% no Ibovespa

As ações da Vale (VALE3) destoam dos preços do minério de ferro em Dalian e recuam fortemente no pregão desta terça-feira, 3. Os preços da commodity fecharam em alta de 0,67% no mercado asiático, enquanto os papéis ordinários da companhia chegaram a atingir o valor de R$ 82,55 na mínima do pregão.

De acordo com operadores do mercado, essa forte queda da Vale reflete muito mais o ambiente global de aversão ao risco do que qualquer mudança estrutural nos fundamentos da mineradora.

Por volta das 16h38, a ação da companhia recuava 5,13%, a R$ 83,64. Tudo indica que esta será a quarta sessão consecutiva de queda para a empresa.

O movimento ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou a percepção de risco nos mercados globais. Segundo Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, o recuo da Vale acompanha o movimento generalizado de saída de ativos considerados mais arriscados, como os de países emergentes.

"O principal motivo não é algo específico da empresa, mas sim o agravamento do conflito no Oriente Médio. O mercado teme uma escalada maior, especialmente pelo risco de interrupções no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o petróleo", afirma.

O temor de desdobramentos na região amplia o risco inflacionário global e estimula a fuga de capital de mercados emergentes, pressionando ativos como a Vale.

Um ponto que reforça a leitura de que a queda tem origem macroeconômica é o desempenho do minério de ferro na China, que fechou em alta nesta terça-feira. "Ou seja, a queda da Vale está muito mais ligada ao cenário macro e à redução de risco do que a uma piora estrutural dos fundamentos", diz Trotta.

Para o especialista, o mercado deve monitorar a duração e a intensidade do conflito. Quanto maior a incerteza, maior tende a ser a volatilidade.

Além disso, a Bolsa brasileira vinha de um período de valorização mais consistente, com destaque para empresas de peso no índice, como a própria Vale que, apesar da forte queda nesta terça, acumula valorização de quase 16% neste ano e de 50,93% nos últimos 12 meses.

Nesse contexto, o aumento da incerteza intensifica o chamado "efeito manada”" segundo Trotta, com investidores reforçando ordens de venda diante da queda acentuada do índice.

Ibovespa recua

O Ibovespa chegou a cair mais de 4% no pior momento do dia, aproximando-se dos 180 mil pontos, e recuava 2,98% por volta das 16h42, aos 183.667 pontos, em linha com a pressão observada no exterior.

Em Nova York, os principais índices também operavam em baixa, ainda que longe das mínimas, enquanto o dólar avançava frente ao real.

O pano de fundo continua sendo a deterioração do cenário geopolítico, que alimenta temores de impacto inflacionário global e reduz o apetite por risco. Nesse ambiente, mesmo empresas com fundamentos preservados acabam sendo atingidas pelo movimento mais amplo de correção nos mercados.

Além do impacto imediato sobre os ativos financeiros, a disparada do barril do petróleo acende um alerta adicional para o Brasil. “O avanço do petróleo representa risco direto para a inflação e pode afetar o início do ciclo de queda de juros, ao reduzir o espaço para cortes mais rápidos ou mais intensos da taxa básica”, diz Jucelia Lisboa, sócia e economista da Siegen Consultoria.

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