Kepler Weber rejeita oferta da GPT, encerra negociações e ações caem 19% na B3

Por César H. S. Rezende 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Kepler Weber rejeita oferta da GPT, encerra negociações e ações caem 19% na B3

Os acionistas majoritários da Kepler Weber rejeitaram a oferta feita pela A-AG Topco Limited, controladora da Grain & Protein Technologies (GPT), e as negociações para a venda da companhia foram encerradas. A decisão foi comunicada em fato relevante divulgado nesta terça-feira, 3.

Na prática, isso significa que a potencial transação — que poderia levar a fabricante brasileira a integrar um grupo internacional controlador da marca GSI — não vai mais acontecer. A Kepler Weber segue independente e listada na B3. Após o comunicado, as ações da companhia chegaram a cair mais de 19%.

As conversas entre as partes começaram em novembro de 2025 e avançaram com a assinatura de um acordo preliminar, sujeito a condições precedentes — ou seja, dependente do cumprimento de exigências formais para que o contrato definitivo fosse assinado.

Segundo o fato relevante, duas condições eram essenciais para concluir o negócio. A primeira era a aprovação da minuta do contrato pelo Conselho de Administração da Kepler Weber, o que de fato ocorreu.

A segunda era a assinatura de um compromisso de voto entre a GPT e a gestora Trígono Capital, acionista relevante da empresa, assegurando apoio à operação em assembleia.

Embora o conselho tenha dado aval aos termos propostos, GPT e Trígono não chegaram a um acordo sobre esse compromisso de voto.

Como a condição precisava ser cumprida até as 18h de segunda-feira, 2, e o prazo não foi atendido, a oferta perdeu a validade e a transação foi automaticamente encerrada.

Como fica a Kepler

Com o fim das negociações, a Kepler Weber segue como empresa independente e continua listada na B3.

No comunicado ao mercado, o Conselho de Administração afirmou que adotou todas as medidas consideradas necessárias para viabilizar a transação.

Entre elas, a contratação de assessores financeiros e jurídicos, a realização de diversas rodadas de negociação com a potencial compradora e a obtenção de uma fairness opinion — documento elaborado por instituição independente para avaliar se as condições financeiras propostas eram adequadas.

A administração também destacou que a companhia mantém solidez econômico-financeira e operacional, mesmo em um cenário mais desafiador para o setor de armazenagem.

Em 2025, a receita líquida ficou próxima de R$ 1,5 bilhão, uma queda de 7,3% em relação a 2024. O EBITDA — indicador que mede o resultado operacional — somou R$ 232 milhões, recuo de cerca de 29% na comparação anual. Já o lucro líquido atingiu R$ 156 milhões, redução de 21,5%, segundo balanço divulgado na semana passada.

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