Varejo no Brasil, inflação nos EUA e petróleo no radar: o que move os mercados
A agenda desta quinta-feira, 9, traz uma combinação de indicadores domésticos e internacionais com potencial de mexer com juros, petróleo e ações sensíveis ao consumo.
No Brasil, o destaque é a divulgação às 09h das vendas no varejo de fevereiro pelo IBGE, indicador relevante para avaliar se o consumo das famílias segue resiliente mesmo em um ambiente de juros elevados. O dado tende a impactar diretamente papéis ligados ao consumo e saúde e bem-estar.
O instituto também publica, no mesmo horário, a Produção Industrial Regional (PIM).
No mercado de commodities, investidores devem acompanhar ajustes nas cotações do petróleo após a divulgação recente de dados de estoques com expectativa de alta expressiva de 6,9 milhões de barris.
A reação do Brent e do WTI tende a ditar o ritmo das ações da Petrobras (PETR4) ao longo do pregão, mantendo o setor de energia como um dos principais vetores de volatilidade no curto prazo.
O que acompanhar no exterior
No exterior, os Estados Unidos concentram os indicadores mais relevantes do dia, com a divulgação às 09h30 do Produto Interno Bruto (PIB) final do quarto trimestre de 2025.
A agenda inclui o índice PCE de fevereiro — medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed) — e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego. Após o Payroll de março indicar retração de 92 mil vagas, o mercado deve reagir com sensibilidade a novos sinais sobre o mercado de trabalho. Às 11h30, será anunciado o estoque de Gás Natural, com projeção de 41B.
Na Europa, a divulgação às 03 da produção industrial da Alemanha, com projeção de alta mensal de 0,6%, será acompanhada como termômetro da recuperação da maior economia da zona do euro e de seu setor manufatureiro.
Já no Japão, às 20h50, indicadores econômicos também entram no radar dos investidores como parte da leitura global de atividade, ajudando a compor o cenário para crescimento e comércio internacional em um momento em que os mercados seguem sensíveis a sinais de desaceleração ou retomada nas principais economias desenvolvidas.
Completa o radar global às 22h30 com a inflação da China, a partir dos dados de IPC e IPP de março, importantes para calibrar expectativas sobre atividade industrial e demanda global por commodities.
Balanços corporativos
A agenda de balanços desta quinta-feira reúne empresas com impactos distintos para a leitura de risco e tendência em setores específicos. No Brasil, o resultado da Oncoclínicas (ONCO3) deve concentrar a maior atenção do mercado, com foco na evolução da alavancagem, geração de caixa e eventuais sinais de reforço de capital ou reorganização financeira.
O desempenho pode influenciar a percepção de risco do setor de saúde listado na B3, especialmente entre companhias com estrutura de capital pressionada.
No exterior, o balanço da BlackBerry Limited (BB) será acompanhado principalmente pela evolução da divisão de software automotivo, hoje o principal vetor da tese de crescimento da empresa.
Já a WD-40 Company (WDFC) funciona como indicador da capacidade de empresas industriais globais manterem margens elevadas em ambiente de custos ainda pressionados, com atenção especial ao guidance e à retomada de volumes fora dos Estados Unidos.
Completa a agenda a BV Financial (BVFL), vista como termômetro para bancos regionais americanos, com foco em margem financeira, custo de captação e qualidade de crédito em um cenário ainda sensível ao nível de juros nos EUA.
Reabertura do Ormuz segue incerta
A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, recolocou o Estreito de Ormuz no centro das preocupações dos mercados globais.
Embora o cessar-fogo temporário firmado entre norte-americanos e iranianos incluísse a reabertura da rota estratégica — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial —, ataques de Israel ao Líbano foram vistos como uma violação ao acordo.
Em resposta ao que classificou como quebra da trégua, Teerã também informou que voltou a fechar a travessia para navios comerciais, de acordo com a agência iraniana Fars.
Sem o restabelecimento do fluxo no Ormuz, o prêmio de risco geopolítico no barril segue elevado e pressionando custos de transporte, seguros marítimos e formação de estoques.
Esse cenário já se reflete diretamente nos preços de combustíveis. O avanço das cotações internacionais da gasolina, em meio às incertezas logísticas na região, reforça a transmissão do choque externo para países importadores como o Brasil, que ainda depende parcialmente do mercado internacional para suprir a demanda interna.
O resultado é aumento da volatilidade nas expectativas de inflação e maior sensibilidade dos ativos ligados à cadeia de energia.
Como resposta, o governo brasileiro acelerou medidas para reduzir a exposição ao petróleo importado, incluindo a elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32% e a desoneração temporária de tributos sobre o querosene de aviação. O
movimento sinaliza uma estratégia de curto prazo para conter impactos inflacionários e, ao mesmo tempo, reforça a agenda estrutural de segurança energética em um ambiente global ainda marcado por incertezas no Golfo.
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