Vendas de carros elétricos crescem, mesmo com atrasos em infraestrutura
O Brasil avançou na transição para a mobilidade elétrica em 2025, com crescimento de quase 26% nas vendas de veículos eletrificados, alcançando 223 mil unidades e 8,8% do total de automóveis vendidos no país. O movimento consolida a liderança brasileira na América Latina, mas também evidencia desafios estruturais, especialmente na infraestrutura de recarga e na capacidade do sistema energético.
Os dados fazem parte do 3º Relatório de Mobilidade Sustentável – Perspectiva do Brasil, apresentado durante o Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026, realizado nos dias 15 e 16 de abril, em São Paulo.
Na região, foram vendidos mais de 660 mil veículos eletrificados em 2025, com o Brasil concentrando cerca de 43% do total. A participação desses modelos já representa 10,9% das vendas de automóveis na América Latina, indicando uma mudança estrutural no setor.
Segundo Daniela Garcia, Diretora da LATAM Mobility no Brasil, o país parte de uma posição diferenciada no cenário global. “A eletrificação no Brasil parte de uma vantagem que poucos mercados têm. Um carro elétrico aqui já nasce com uma pegada de carbono menor do que em países onde a matriz energética é mais intensiva em emissões. Isso muda completamente a lógica de impacto ambiental e de competitividade do setor”, afirma.
Mudança no perfil da demanda
O avanço das vendas veio acompanhado de uma alteração no comportamento do mercado. Em 2024, o crescimento foi impulsionado principalmente pelos veículos 100% elétricos.
Já em 2025, os híbridos plug-in (PHEV) passaram a liderar a expansão, com alta de 56,2%, sinalizando uma adaptação de consumidores e da indústria ao estágio atual da transição energética.
Infraestrutura sob pressão
Apesar do crescimento da rede de recarga no país, o ritmo de expansão ainda não acompanha a demanda. Atualmente, 10 estados concentram mais de 81% das vendas de veículos eletrificados e cerca de 79% dos eletropostos disponíveis.
Nessas regiões, a média já chega a 21,4 veículos por ponto de recarga, o que evidencia um descompasso entre oferta e demanda e aumenta a pressão sobre a infraestrutura existente.
Para Ronaldo Sandoval, Diretor da EvolvX na América Latina, o próximo ciclo de crescimento depende da superação desses entraves. “O Brasil já entrou definitivamente no mapa da eletromobilidade global, mas o próximo ciclo de crescimento depende de resolver gargalos estruturais, especialmente na infraestrutura”, afirma.
Desafio energético
O avanço da mobilidade elétrica ocorre em um contexto em que o Brasil conta com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, com 88,2% de participação dessas fontes. Esse fator amplia o impacto positivo da eletrificação, mas também traz novos desafios.
A expansão recente da geração tem sido liderada por fontes intermitentes, como solar e eólica, o que aumenta a complexidade da operação do sistema elétrico e exige maior capacidade de gestão da demanda.
Nesse cenário, especialistas apontam que o país entra em uma nova fase da transição energética, em que a sustentação do crescimento passa a ser central.
“A demanda já existe e cresce em ritmo acelerado. O desafio agora é garantir que a infraestrutura e o ambiente regulatório acompanhem esse avanço para evitar gargalos que possam frear o setor”, diz Daniela García, Country Manager do Brasil Mobility.
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