Vendas no Meli disparam no 1º trimestre, mas margens seguem encolhendo
O Mercado Livre registrou lucro líquido de US$ 417 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 16% sobre os US$ 494 milhões do mesmo período de 2025. O recuo na linha final do balanço deriva de uma questão que vem acompanhando os resultados da companhia no último ano: margens comprimidas. Mas o balanço mostrou, mais uma vez, que a mesma estratégia que machuca as margens tem elevado de forma expressiva o volume de vendas, receitas e a adesão de consumidores à plataforma — um dos principais objetivos do Meli.
A margem operacional recuou de 12,9% no 1T25 para 6,9% no 1T26, e a margem líquida foi de 8,3% para 4,7% no mesmo intervalo. A compressão decorre da política de frete grátis adotada no Brasil ao longo de 2025, quando a empresa reduziu o valor mínimo de compra para o cliente ter acesso à entrega sem custo.
Com essa estratégia, por outro lado, os itens vendidos subiram 56% no país, na comparação anual. O crescimento de compradores únicos, por sua vez, acelerou para 32%.
A companhia também já está vendo o custo unitário de frete no Brasil cair — no primeiro trimestre, houve recuo de 17% na comparação anual em moeda local, acelerando frente à queda de 11% registrada no quarto trimestre de 2025.
"Já conseguimos recuperar metade do lucro por pacote que perdemos quando decidimos reduzir o valor mínimo do frete grátis", afirma Richard Cathcart, diretor de relações com investidores do Mercado Livre. "Obviamente, a gente ainda tem mais caminho para poder voltar tudo, mas estamos super satisfeitos com a maturação dos investimentos."
A rede logística da empresa no país conta com mais de 50 centros de fulfillment, que processaram 55% dos envios no trimestre.
Em números consolidados, levando em conta a operação do Meli em todos os países onde atua, a receita líquida cresceu 49%, de US$ 5,9 bilhões para US$ 8,8 bilhões, o ritmo mais acelerado desde o segundo trimestre de 2022, informa a empresa.
O volume bruto de mercadorias (GMV) transacionado na plataforma foi de US$ 19 bilhões, alta de 42% em dólares sobre os US$ 13,3 bilhões do 1T25.
"A gente viu uma aceleração de crescimento em cima de uma base que já estava alta", diz Cathcart.
Os itens vendidos cresceram 47%, de 492 milhões para 722 milhões. A base de compradores únicos ativos avançou 26%, superando 84 milhões de usuários.
No Mercado Pago, os usuários ativos mensais cresceram 29%, de 64,3 milhões para 83 milhões. A carteira de crédito subiu 87%, de US$ 7,8 bilhões para US$ 14,6 bilhões. Os ativos sob gestão cresceram 77%, de US$ 11,2 bilhões para quase US$ 20 bilhões.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: