Vitamina B12 pode estar ligada ao câncer? Novo estudo acende alerta

Por Estela Marconi 1 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Vitamina B12 pode estar ligada ao câncer? Novo estudo acende alerta

A vitamina B12 está no centro de uma revisão científica que questiona uma antiga percepção sobre a segurança da suplementação em altas doses.

Um artigo publicado no The Conversation por pesquisadores da Universidade de Reading, no Reino Unido, escrito com base em estudos recentes, aponta que a relação entre a vitamina e o câncer pode ser mais complexa do que se acreditava.

Essencial para a formação de glóbulos vermelhos, a manutenção do sistema nervoso e o reparo do DNA, a B12 sempre foi considerada uma vitamina de baixo risco, mesmo quando consumida em quantidades elevadas.

Novas pesquisas, porém, sugerem que o excesso pode merecer mais atenção.

Um estudo de caso-controle realizado no Vietnã em 2025 identificou uma relação em formato de "U" entre a ingestão de B12 e o risco de câncer. Segundo os pesquisadores, tanto os níveis mais baixos quanto os mais altos de consumo foram associados a um risco maior da doença.

Embora esse tipo de pesquisa não permita estabelecer uma relação de causa e efeito, os resultados colocaram a suplementação excessiva no radar dos cientistas.

Por que o excesso de vitamina B12 preocupa pesquisadores?

A principal hipótese é que a vitamina B12 estimula processos de crescimento celular. Em condições normais, essa função é importante para a renovação dos tecidos e para o funcionamento do organismo.

No entanto, pesquisadores avaliam se uma disponibilidade muito elevada da vitamina poderia favorecer também a multiplicação de células pré-cancerosas já existentes no corpo.

Até o momento, essa possibilidade não foi comprovada em humanos. Ainda assim, estudos sobre suplementação prolongada com altas doses de vitaminas do complexo B não encontraram benefícios consistentes na prevenção do câncer ou na redução da mortalidade pela doença.

Algumas pesquisas observacionais também identificaram uma associação entre o uso prolongado de doses elevadas de vitaminas B6 e B12 e um leve aumento do risco de câncer de pulmão, especialmente entre homens e fumantes.

Níveis elevados de B12 podem servir como marcador da doença

Outro ponto que chamou a atenção dos cientistas é o fato de muitos pacientes com câncer apresentarem concentrações elevadas de B12 no sangue.

Pesquisas publicadas em 2022 e 2024 concluíram que essa associação provavelmente não significa que a vitamina esteja causando o câncer. Em vez disso, os níveis elevados seriam consequência da própria doença.

Uma das explicações é que determinados tumores podem afetar o fígado, órgão responsável por armazenar grandes quantidades de vitamina B12. Com isso, a substância passa a ser liberada em excesso na corrente sanguínea.

Mesmo sem indicar necessariamente uma causa, os níveis elevados podem ter valor clínico. Um estudo publicado em 2026 observou que pacientes com câncer de cólon e concentrações muito altas de B12 tiveram uma sobrevida mediana de cerca de cinco anos, enquanto aqueles com níveis normais viveram, em média, quase onze anos.

Padrões semelhantes também foram observados em pesquisas envolvendo câncer oral e pacientes submetidos à imunoterapia.

Quem deve se preocupar?

Para a maioria das pessoas, o risco de consumir vitamina B12 em excesso pela alimentação é considerado muito baixo.

A deficiência continua sendo o problema mais frequente, especialmente entre veganos, idosos e pessoas com condições que prejudicam a absorção intestinal da vitamina.

O principal alerta dos pesquisadores está relacionado ao uso de suplementos em doses elevadas sem recomendação médica e a casos em que exames revelam níveis persistentemente altos de B12 sem uma explicação clara.

Nessas situações, especialistas recomendam avaliação médica para investigar as possíveis causas e determinar se há necessidade de exames complementares.

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