‘Vivemos uma escassez épica por talentos e habilidades’, diz executiva do GPTW

Por Guilherme Santiago 5 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘Vivemos uma escassez épica por talentos e habilidades’, diz executiva do GPTW

As empresas brasileiras enfrentam uma combinação de problemas que começa na contratação e termina no engajamento.

Um levantamento do Great Place To Work mostra que 59% das companhias têm dificuldade para preencher vagas. Ao mesmo tempo, apenas 16% dos trabalhadores estão de fato engajados, segundo a consultoria Gallup.

O cenário indica um mercado pressionado por falta de mão de obra qualificada e por uma relação mais distante entre pessoas e trabalho. É, de fato, bastante desafiador.

Mercado em transformação

Essa é a avaliação de Daniela Diniz, CCO do GPTW Brasil, durante painel no RH Summit 2026, realizado entre os dias 5 e 6 de maio, no Expo Center Norte.

Para Diniz, os dois movimentos estão conectados e refletem uma mudança mais profunda. O mercado atravessa uma transição na qual aumentam as exigências por habilidades e se ampliam os desencontros entre empresas e profissionais.

Parte desse desalinhamento vem da convivência de até cinco gerações no mercado. “Pessoas de épocas diferentes têm expectativas diferentes sobre o trabalho”, afirma. Isso ajuda a explicar por que o emprego perdeu espaço como fonte de identidade. Entre jovens adultos, 68% veem o trabalho principalmente como meio de renda, não de realização.

Os efeitos aparecem na rotatividade. Em 2025, cerca de 9 milhões de brasileiros pediram demissão, segundo o Caged. Outros 60% pensaram em sair, de acordo com a Fundação Getulio Vargas. A permanência nas empresas também diminuiu: se, nos anos 1990, quase 40% dos profissionais ficavam mais de 20 anos no mesmo emprego, hoje são apenas 4%.

Apesar do diagnóstico, há caminhos. Um deles é tornar mais claro o impacto do trabalho. Estudos indicam que profissionais que entendem a importância do que fazem são 142% mais produtivos e contribuem para elevar a receita das empresas. Outro é investir em liderança e cultura. “Cabe à liderança contratar, acolher e inspirar”, diz Diniz.

Empresas que conseguem criar ambientes de confiança e orgulho tendem a ter resultados melhores. Segundo o GPTW, organizações com alta confiança podem apresentar desempenho até 3,5 vezes superior e crescer acima da média da economia. No cenário atual, mais do que atrair talentos, o desafio é fazer com que eles queiram ficar — e se engajar.

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