Você correria 5 km dentro de um banheiro? Conheça a nova corrida viral do TikTok
A corrida foi o esporte mais praticado no mundo em 2025, segundo dados do relatório anual do Strava. Um dos motivos foi o grande destaque que a modalidade recebeu nas redes sociais, com criadores que compartilham dicas e conquistas aos seus seguidores.
Foi também no mundo virtual que a corrida ganhou uma nova versão — mais focada em visibilidade e engajamento do que no resultado em si. No TikTok, Instagram e no próprio Strava, influenciadores passaram a registrar "corridas" de 5 km em espaços improváveis: dentro de vans, banheiros de avião, banheiras e até caixas de transporte.
Em vez de recordes pessoais ou longas distâncias, o que importa é o formato do vídeo e chamar a atenção no feed, com um trajeto "desenhado" nos aplicativos. No Strava, por exemplo, o mapa da corrida aparece com distância e ritmo normalmente — mesmo quando o trajeto é um rabisco sem lógica.
Falha no sistema?
Um dos maiores destaques nessa "nova forma" de fazer corrida é Jacob Cohen, conhecido como @notreallywellness. Ele publica diariamente vídeos simulando corridas de 5 km em ambientes restritos, como mesas, cabines e objetos domésticos. Ao New York Times, ele contou que o formato gerou até dez vezes mais visualizações do que seus conteúdos anteriores.
Porém, parte desses registros não envolve corrida no sentido tradicional. Joe Heikes, gerente de produto da Garmin, explicou ao jornal que muitos desses treinos são feitos sem GPS.
Nesses casos, os dispositivos estimam a distância com base no movimento detectado, o que permite que deslocamentos inexistentes sejam interpretados como quilômetros percorridos. Ou seja, qualquer ação repetida — como mexer o braço — pode ser convertida em distância dentro do aplicativo.
Nova trend de corrida?
O formato viralizou e já tem novos adeptos. Wyatt Gillespie, de 26 anos, disse ao New York Times que tentou correr dentro de uma van em movimento após ver vídeos do tipo. "Eu estava sendo arremessado contra as paredes. Mal consegui correr por três minutos", afirmou.
Para Cohen, o objetivo não é simular performance e nem correr de fato, mas mudar o tom do conteúdo fitness. "Todo mundo está correndo atrás de objetivos irreais e minimizando a importância de simplesmente se movimentar", disse ao New York Times. "Então pensei: vamos fazer algo divertido."
Ao mesmo tempo, o formato inusitado mostra que os próprios aplicativos têm pontos a melhorar. Por exemplo, a dependência de estimativas quando o GPS não está ativo abre espaço para registros que não correspondem a deslocamentos reais, mas que ainda assim são exibidos como atividade concluída.
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