WeWork ressurge com mega-espaço em Nova York e escritórios 'híbridos'

Por Caroline Oliveira 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
WeWork ressurge com mega-espaço em Nova York e escritórios 'híbridos'

A WeWork voltou a expandir sua operação, agora sob uma estratégia mais focada em disciplina financeira e ajuste ao novo cenário de trabalho híbrido. Após a reestruturação concluída em 2024, a companhia tem retomado a abertura de unidades de forma seletiva.

Um exemplo é a inauguração de um espaço de aproximadamente 5,6 mil metros quadrados no endereço 250 Broadway, em Nova York — o primeiro novo local na cidade desde 2019, segundo informações da Fast Company.

A unidade se soma a uma rede global que reúne cerca de 600 endereços e um portfólio de aproximadamente 4,2 milhões de metros quadrados.

Mais do que a expansão física, a companhia tem indicado mudanças na forma de operação e no posicionamento de seus espaços, em linha com a demanda por ambientes mais flexíveis no período pós-pandemia.

Foco em funcionalidade

O “WeWork 2.0” abandona elementos que marcaram sua ascensão, como estética padronizada, ambientes festivos e experiências voltadas ao lifestyle. No lugar, entram espaços mais sóbrios, funcionais e adaptados ao uso real dos clientes.

A reformulação inclui mudanças práticas: melhor isolamento acústico, layouts mais intuitivos, sinalização clara e maior oferta de espaços privados. A proposta é atender a um novo perfil de usuário, moldado pelo trabalho híbrido — que exige, ao mesmo tempo, áreas de concentração e ambientes de colaboração.

De acordo com informações da Fast Company, a diretora de design Ebbie Wisecarver contou que os projetos deixaram de seguir um padrão rígido para se adaptar às características de cada edifício e à forma como os clientes utilizam o espaço.

“A cultura da WeWork e o que ela representa evoluíram”, disse ao portal. “Não acho que isso tenha diminuído a ideia de comunidade e conexão, apenas acho que nos adaptamos de muitas maneiras para oferecer mais espaços que sejam mais adequados ao que as pessoas fazem ali”.

Recuperação com disciplina

Após pedir recuperação judicial em novembro de 2023 — momento em que a empresa acumulava cerca de US$ 13 bilhões em obrigações de aluguel e uma taxa de vacância de escritórios em Manhattan acima de 21%, de acordo com o NYP —, a WeWork emergiu em junho de 2024 com cerca de US$ 4 bilhões em dívidas eliminadas, centenas de unidades fechadas e uma nova liderança.

A reestruturação incluiu a entrada da Yardi Systems como principal acionista, após um investimento de US$ 337 milhões dentro de um pacote total de cerca de US$ 450 milhões. “Em 2024, emergimos com um portfólio muito otimizado e uma presença muito boa em todo o mundo”, disse Peter Greenspan, chefe global de imóveis da WeWork, ao New York Post.

O CEO John Santora, ex-executivo da Cushman & Wakefield, assumiu com foco em reestruturação operacional e disciplina financeira. A estratégia incluiu renegociação de contratos de aluguel — muitos convertidos em modelos de participação nos resultados — e redução da exposição a compromissos de longo prazo.

Hoje, a empresa afirma estar crescendo “de forma sensata e sustentável, em linha com a demanda”.

Os indicadores recentes apontam para uma estabilização da operação. A receita global avançou de US$ 2,2 bilhões em 2024 para US$ 2,3 bilhões em 2025, segundo declarou Greenspan ao NYP. Já dados reportados pela Fast Company mostram que a taxa de ocupação global subiu de cerca de 70% para 77%, enquanto, em Nova York, gira em torno de 82%, chegando a aproximadamente 90% na região de Midtown. Em alguns mercados internacionais, os níveis já superam 90%. A companhia trabalha com a meta de alcançar cerca de 80% de ocupação global.

Coworking volta ao radar — com novo perfil

A retomada da WeWork ocorre em paralelo a uma recuperação mais ampla do coworking, impulsionada pelo modelo híbrido.

Nesse contexto, fatores como incerteza econômica e o avanço da inteligência artificial têm levado empresas a adotar estruturas mais flexíveis. Isso inclui a redução de contratos imobiliários de longo prazo e a criação de escritórios satélites mais próximos dos funcionários.

Esse movimento ampliou o perfil de clientes: além de startups e pequenas empresas, grandes corporações como Amazon, Pfizer e JPMorgan passaram a utilizar espaços flexíveis, segundo The Wall Street Journal.

Nos Estados Unidos, o coworking representa cerca de 2,2% do estoque de escritórios, ante 1,7% há três anos, segundo dados da Yardi citados pelo WSJ. A empresa estima que essa participação pode chegar a 10% no longo prazo.

Ao mesmo tempo, o setor se torna mais fragmentado e competitivo. O chamado “coworking 2.0” tem sido cada vez mais ocupado por operadores independentes, em contraste com grandes redes globais como a própria WeWork, que chegou a ter mais de 800 unidades em seu pico.

Operadores de uma única unidade cresceram 66% nos últimos três anos, passando de 3.500 locais, segundo a Yardi — o dobro da taxa de crescimento das 20 maiores operadoras.

Hoje, os espaços de coworking nos EUA somam cerca de 14,7 milhões de metros quadrados distribuídos em quase 8.800 endereços. Embora ainda abaixo dos níveis pré-pandemia, o volume representa crescimento em relação aos cerca de 10,7 milhões de metros quadrados em aproximadamente 5.800 locais registrados três anos atrás, segundo dados da Yardi, divulgados pelo WSJ.

Esses espaços têm sido utilizados como alternativa para combinar os benefícios do trabalho presencial — como colaboração e acesso a infraestrutura — com maior flexibilidade e menor necessidade de deslocamentos longos.

Se por um lado o mercado voltou a crescer, por outro a concorrência também se intensificou. Empresas como a Industrious — adquirida pela CBRE por US$ 400 milhões em 2025, de acordo com a Fast Company — e a IWG, controladora das marcas Regus e Spaces, disputam clientes corporativos com propostas mais estruturadas e, em muitos casos, mais rentáveis.

Em mercados como o distrito financeiro de Nova York, surgem ainda novos modelos, como o da WSA, que combina coworking com programação artística e eventos culturais como diferencial competitivo.

Expansão seletiva e novos produtos

A nova WeWork também aposta em expansão seletiva. Em Manhattan, a empresa soma cerca de 36 endereços e mais de 278,7 mil metros quadrados, com novas unidades em desenvolvimento, incluindo projetos na Quinta Avenida.

Ao mesmo tempo, investe em inovação de produto. Um exemplo é o lançamento do WeWork Go — cabines individuais e modulares voltadas a profissionais em trânsito, instaladas em locais como aeroportos e centros de convenções. A iniciativa reflete uma leitura mais ampla sobre o futuro do trabalho: menos dependente de um único escritório e mais distribuído ao longo do dia e de diferentes espaços.

“É uma extensão poderosa da nossa plataforma e mais um passo para oferecer soluções imobiliárias projetadas para a forma como o mundo trabalha hoje”, disse John Santora, CEO da WeWork. O produto conta com três formatos: uso individual, modelo colaborativo para até quatro pessoas e uma versão adaptada para acessibilidade.

Essa mudança também dialoga com uma transformação mais ampla nas expectativas dos usuários. Antes da pandemia, escritórios satélites costumavam oferecer estruturas básicas. Hoje, segundo informações do WSJ, executivos do setor afirmam que há maior demanda por ambientes que combinem concentração e interação.

O cofundador da Industrious e executivo da CBRE, Jamie Hodari declarou ao jornal que os trabalhadores remotos “ficam furiosos se você os obriga a voltar ao escritório e a experiência é ruim”.

Internamente, a WeWork busca equilibrar crescimento com eficiência, priorizando ocupação, rentabilidade por unidade e contratos mais flexíveis. “Não vamos pegar coisa que vai te engasgar se não encher logo de cara”, disse Santora. “Há um nível de disciplina aqui”.

As mudanças também aparecem no desenho dos espaços. Escritórios privativos passaram a adotar carpete para reduzir ruído, enquanto áreas comuns foram reorganizadas para melhorar a integração. Cabines telefônicas foram reposicionadas próximas às áreas de convivência, e ambientes como salas de apoio ganharam melhorias estruturais. A proposta é atender a uma demanda mais híbrida: espaços silenciosos para foco e áreas compartilhadas para colaboração.

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