Xiaomi tem queda de 57% do lucro em meio a aumento do custo de chips de memória
A Xiaomi registrou queda no lucro de seu primeiro trimestre de 2026 em comparação com o ano passado, em razão do aumento de preços de componentes, como chips de memória, bem como intensificação da competição e incertezas geopolíticas.
No último resultado divulgado, a companhia registrou lucro de 4,73 bilhões de yuan (R$ 3,51 bilhões), uma queda de 57% ante o mesmo período do ano anterior. Já a receita caiu 12% ano a ano e ficou em 99,1 bilhões de yuan (R$ 73,66 bilhões).
Os smartphones, principal fonte de receita da companhia, tiveram queda na remessa ano a ano e alcançaram 33,8 milhões de unidades ante 41,8 milhões no mesmo período do ano passado. Já a receita do segmento ficou em 44,3 bilhões de yuan (R$ 32,4 bilhões). O setor sofreu com os aumentos significativos do preço de chips de memória.
Apesar disso, a Xiaomi conseguiu se manter entre as três empresas com maiores remessas globais de smartphones, com 11,3% do market share, segundo o grupo de pesquisa em tecnologia Omdia. Esse é o 23.º trimestre consecutivo em que a Xiaomi fica entre as três maiores do mundo.
O aumento do preço de chips para smartphones está ligado à reorganização da cadeia global de semicondutores, em que chips de memória como a DRAM são direcionados a data centers para responder à demanda por infraestrutura de IA.
Análise da consultoria global de estratégia McKinsey diz que cerca de 70% dos centros de processamento de dados serão destinados a operações de inteligência artificial até 2030. Com isso, empresas de chip têm priorizado pedidos de empresas como Nvidia, OpenAI e Meta, ligadas ao desenvolvimento da IA.
A Xiaomi já havia alertado no fim de 2025 que a demanda da IA iria resultar em escassez de chips de memória em 2026, o que traz risco de encarecer equipamentos. Outro fator para a escassez são as sanções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que restringe a capacidade das empresas chinesas de produzir componentes avançados.
Crescimento da receita com carros elétricos e IA
Enquanto o segmento de celulares caiu, os de carros elétricos inteligentes e inteligência artificial tiveram crescimento da receita de 6,9% e alcançaram 19 bilhões de yuan (R$ 14,8 bilhões).
Os esforços da companhia para construir sua própria IA para integrar os smartphones e carros elétricos têm sido bem sucedidos. No lançamento do seu carro elétrico YU7 a empresa disse ter recebido 200 mil pedidos três minutos após o início das vendas em Pequim.
Ainda assim, a área apresentou prejuízo operacional de 3,1 bilhões de yuan (o equivalente a R$ 2,3 bilhões) no primeiro trimestre de 2026, em comparação com 0,5 bilhão de yuan do mesmo trimestre de 2025. A margem bruta do segmento também diminuiu de 23,2% para 20,1% no período, o que está em parte relacionado pelo aumento de preço dos componentes, informou a empresa.
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