XP vê inflação mais alta e poucos cortes na Selic — mas segue otimista com o Ibovespa

Por Mitchel Diniz 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
XP vê inflação mais alta e poucos cortes na Selic — mas segue otimista com o Ibovespa

A XP Investimentos revisou projeções macroeconômicas para 2026 com os conflitos no Oriente Médio. A casa elevou a estimativa de inflação de 3,8% para 4,5% e reduziu drasticamente a expectativa de cortes na Selic — de 250 pontos-base para apenas 100. Ainda assim, a corretora manteve seu valor justo para o Ibovespa em 196 mil pontos, em um cenário base, por acreditar que a bolsa segue descontada e e perceber fluxos estrangeiros recordes na bolsa brasileira.

O que era esperado como um conflito de curta duração no Irã já dura mais de um mês, e seu principal efeito nos mercados são as restrições no comércio pelo Estreito de Ormuz — rota crítica para o fornecimento global de petróleo. O Brent disparou mais de 63% desde o início das tensões, chegando a US$ 118 por barril nas máximas do mês. Outras referências, como Dubai e Omã, chegaram a US$ 130 e US$ 160, respectivamente.

O impacto foi imediato nas bolsas globais. O MSCI ACWI recuou 9,1% em março, o S&P 500 caiu 5,1% e o Nikkei japonês despencou 14,8%. Ouro e prata, que eram as grandes apostas do início do ano, também sofreram correções expressivas.

A XP, contudo, nota que, em meio ao caos global, o Ibovespa recuou apenas 0,7% em reais e 1,8% em dólares no mês. Foi o primeiro resultado negativo do índice desde julho de 2025 e muito abaixo das perdas vistas em outros mercados. O principal amortecedor foi o setor de Óleo & Gás, que avançou 21,7% em março. Petrobras (PETR3) subiu 26,2% e a PRIO (PRIO3) ganhou 21,5%.

O petróleo bruto é hoje o principal produto de exportação do Brasil, respondendo por 12,8% do total exportado em 2025. Além disso, o setor de energia representa 17,3% do MSCI Brazil — o segundo maior peso entre todos os mercados emergentes. Isso coloca o país em posição privilegiada num mundo com petróleo caro.

O real também se saiu melhor do que a maioria das moedas emergentes desde o início do conflito, beneficiado pela melhora na balança comercial decorrente dos preços mais altos do petróleo.

Fluxo estrangeiro bate recorde

Outro dado que chama atenção é o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira. Em 2026, as entradas somam mais de R$ 50 bilhões, sendo R$ 8,9 bilhões apenas em março, mesmo com toda a volatilidade do período. Para a XP, o Brasil continua sendo um destino natural para investidores que buscam exposição ao petróleo com baixo risco geopolítico e valuations atrativos.

O principal risco apontado no relatório está justamente no outro lado da equação. Com o petróleo elevado por mais tempo, a inflação brasileira tende a subir. A XP calcula que, com o Brent a US$ 100 por barril, o IPCA pode chegar a 5,1% — bem acima da meta do Banco Central. O relatório revisou a projeção oficial de inflação para 4,5% em 2026.

Esse cenário forçou uma revisão nas expectativas para a Selic. A XP, que antes apostava em cortes de 250 pontos-base no ciclo, agora espera apenas 100 pontos-base.

O modelo quantitativo da XP indica que, se os juros se mantiverem nos níveis atuais, o regime macroeconômico brasileiro pode mudar de "inflação baixa, juros em queda" — historicamente o melhor ambiente para ações — para "inflação baixa, juros em alta", já por volta de setembro de 2026. Nesse cenário, setores domésticos cíclicos como educação, construção civil e varejo seriam os mais penalizados.

Bolsa segue atrativa, diz XP

Apesar dos riscos, a XP não alterou seu valor justo para o Ibovespa. A corretora argumenta que, a 9,3x o lucro projetado, a bolsa brasileira ainda negocia com desconto de 19% frente aos mercados emergentes e de 45% frente ao índice global MSCI ACWI. O crescimento de lucros projetado para 2026 é de 5,8% — e sobe para 23,4% quando se excluem as commodities.

A XP aproveitou o relatório para atualizar suas carteiras. Na Top Ações, entrou o Nubank (ROXO34), com peso de 5%, e foram aumentadas as posições em B3 (B3SA3) e Localiza (RENT3). Saiu Cyrela (CYRE3), diante do aumento de estoques no segmento de média e alta renda em São Paulo, e foi reduzida a posição em Itaú (ITUB4).

Na carteira ESG, entrou RENT3 e saiu Motiva (MOTV3). As carteiras de dividendos e small Caps tiveram ajustes pontuais, com a inclusão de Vivara (VIVA3) nesta última.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: