Yuan dispara com encontro Trump-Xi Jinping — e pode subir mais
O yuan voltou ao centro das atenções dos mercados globais nesta quinta-feira, 14, após atingir o maior nível em três anos frente ao dólar, em meio à cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em Pequim.
A valorização da moeda chinesa acontece enquanto bancos internacionais começam a rever para cima suas projeções para o câmbio e estrategistas enxergam uma oportunidade rara de avanço da China na disputa cambial.
Em relatório enviado a clientes, o Deutsche Bank elevou sua projeção para o yuan no fim de 2026 de 6,70 para 6,55 por dólar.
Caso o cenário se confirme, este será um dos anos mais fortes do yuan nas últimas duas décadas, que ganhou espaço depois que o Banco Popular da China (PBOC, em inglês) fixou uma nova taxa de referência para a moeda.
Essa taxa diária foi definida em 6,8401 por dólar, o nível mais forte desde março de 2023, segundo dados consultados pela Reuters.
Todavia, o índice Shanghai Composite caiu 1,52%, na pior sessão em quase dois meses, enquanto o CSI300 recuou 1,68%. Para gestores, a queda teve mais relação com a realização de ganhos do que com a cúpula em si.
Cúpula Trump-Xi ajuda yuan
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, tiveram uma reunião em Pequim hoje, mas investidores ainda evitam apostar em uma reaproximação profunda.
O temor de novas escaladas tarifárias, porém, diminuiu nas últimas semanas.
Xi Jinping afirmou que os dois países concordaram em construir uma relação "construtiva e estrategicamente estável" para os próximos anos, de acordo com a emissora estatal chinesa CCTV.
Para o economista-chefe para China da Macquarie, Larry Hu, Pequim parece mais preocupada em transmitir estabilidade do que em anunciar medidas concretas.
"O foco da cúpula em Pequim não está em resultados concretos, mas na imagem, visando projetar estabilidade e previsibilidade tanto para o público internacional quanto para o doméstico", disse à Reuters.
Internacionalização do yuan
O chefe global de estratégia de mercados da Brown Brothers Harriman (BBH), Elias Haddad, argumentou que o uso internacional do yuan ainda é pequeno em relação ao peso da China no Produto Interno Bruto (PIB) e no comércio globais, o que deixaria espaço para expansão.
A BBH mantém visão otimista para a moeda no longo prazo, citando tanto o potencial de internacionalização quanto o processo de reequilíbrio interno da economia chinesa.
A valorização cambial também vem sendo sustentada por fundamentos domésticos mais sólidos. As exportações chinesas seguem resilientes, enquanto o superávit comercial continua elevado.
Guerra cambial e linhas de swap
O domínio internacional do dólar continua sendo um dos principais ativos estratégicos dos EUA, especialmente por meio das linhas de swap mantidas pelo Federal Reserve (Fed) com países aliados.
Atualmente, as linhas estão concentradas em economias próximas aos EUA, como a Zona do Euro, o Japão, o Reino Unido, o Canadá e a Suíça, conforme Daniel Moss, da Bloomberg.
A China, porém, vem ampliando sua própria rede de liquidez em yuan. Dados divulgados pelo PBOC mostraram que o uso das linhas de swap em moeda chinesa atingiu o maior volume em dois anos.
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