1º de Maio leva protestos às ruas do mundo com críticas à desigualdade e ao trabalho precário

Por Da Redação 3 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
1º de Maio leva protestos às ruas do mundo com críticas à desigualdade e ao trabalho precário

O Dia do Trabalhador, celebrado nesta sexta-feira, 1º, foi marcado por grandes manifestações ao redor do mundo. Em diferentes capitais e centros urbanos, milhares de pessoas ocuparam ruas e praças para expressar insatisfação com o custo de vida, mudanças nas regras do mercado de trabalho e o avanço da desigualdade.

As manifestações ocorreram em todos os continentes — em alguns casos, sob repressão das forças de segurança — e refletiram um conjunto de demandas recorrentes: melhores salários, condições dignas de trabalho, garantias sociais e críticas a políticas econômicas adotadas em meio a crises recentes.

Se antes a data simbolizava sobretudo a conquista da jornada de oito horas, hoje ela volta a ganhar força como espaço de disputa sobre o futuro do trabalho. Em vários países, trabalhadores acusam governos e empresas de responder às dificuldades econômicas com medidas que reduzem direitos, pressionam rendimentos e ampliam a informalidade.

Reformas impulsionam atos na Argentina

Na América Latina, a Argentina concentrou uma das principais mobilizações, ainda na quinta-feira (30). Em Buenos Aires, trabalhadores protestaram contra a reforma trabalhista promovida pelo governo de Javier Milei, em um ato liderado pela Confederação Geral do Trabalho (CGT).

Entre os pontos mais criticados estão a flexibilização de contratos, a ampliação da jornada para até 12 horas diárias, o aumento do período de experiência e a possibilidade de compensar horas extras com folgas. Para entidades sindicais, as mudanças aprofundam a precarização em um mercado já fragilizado pela perda de empregos formais.

Relatos da teleSUR indicam que as manifestações fizeram parte de uma agenda mais ampla ao longo da semana, com críticas ao aumento da pobreza, demissões e cortes em políticas públicas.

Buenos Aires, Argentina: manifestação na Praça de Maio convocada por centrais sindicais contra o governo de Javier Milei, na véspera do Dia Internacional dos Trabalhadores, em 30 de abril de 2026 (Juan Mabromata/AFP)

América Latina amplia protestos para além do trabalho

Em outros países da região, os atos incorporaram temas políticos mais amplos. Na Bolívia, mobilizações reuniram trabalhadores, camponeses e indígenas em defesa de salários e empresas estatais.

Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro incentivou manifestações em apoio a reformas sociais, em meio a embates com o Congresso.

Já no Chile, protestos em Santiago foram dispersados com bombas de efeito moral e jatos d’água.

Medellín, Colombia: pessoas participam de ato do 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, no departamento de Antioquia (Jaime Saldarriaga/AFP)

No Brasil, uma grande manifestação ocorreu em São Paulo. Centrais sindicais e movimentos sociais se reuniram na Praça Roosevelt, na região central.

Entre as principais reivindicações estiveram o fim da escala 6x1 — em que o trabalhador folga apenas um dia por semana — e a adoção de políticas mais eficazes de combate ao feminicídio. Cartazes e camisetas também trouxeram críticas à atuação do Congresso Nacional.

Nos EUA, desigualdade e imigração entram na pauta

Mesmo sem ser feriado nacional, o 1º de Maio mobilizou trabalhadores em diversas cidades dos Estados Unidos. Sob o lema “workers over billionaires”, organizações sindicais e movimentos sociais organizaram atos e paralisações.

Segundo o Guardian, as ações reuniram milhares de participantes dentro da coalizão May Day Strong, que agrega mais de 3,5 mil organizações. A articulação incentivou boicotes e interrupções de atividades com o slogan “sem escola, sem trabalho, sem compras”.

De acordo com a Associated Press, cidades como Nova York, Chicago, Washington e Portland registraram protestos com críticas à concentração de renda, às políticas do governo Donald Trump e às medidas voltadas à imigração.

Washington, Estados Unidos: manifestantes participam de ato do 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores (Kent Nishimura/AFP)

Europa mistura custo de vida, política e repressão

Em diferentes países europeus, os atos combinaram reivindicações econômicas e pautas políticas. Na França, sindicatos levaram manifestantes às ruas com o lema “pão, paz e liberdade”, relacionando o aumento do custo de vida a tensões internacionais. Houve intervenção policial em Paris.

Na Turquia, a tentativa de chegar à Praça Taksim, em Istambul, terminou em repressão. Segundo a teleSUR, cerca de 360 pessoas foram detidas, com uso de gás lacrimogêneo e bloqueios de acesso.

Na Bósnia, trabalhadores protestaram contra o fechamento de uma siderúrgica em Zenica, que ameaça milhares de empregos.

Na Itália, manifestações questionaram medidas do governo voltadas ao emprego, vistas por opositores como incentivo à precarização. Em Portugal, sindicatos seguem em impasse com o governo após negociações sem acordo sobre mudanças nas leis trabalhistas.

Paris, França: atos foram acompanhados por forte presença policial e episódios de repressão. Na foto, um manifestante é detido (Alain Jocard/AFP)

Alta de preços mobiliza protestos na Ásia e África

Em países asiáticos, a inflação foi um dos principais motores das manifestações. Nas Filipinas, trabalhadores pediram reajustes salariais e redução de impostos, com registros de confronto com a polícia.

Na Indonésia, milhares foram às ruas em Jacarta para protestar contra o aumento do custo de vida. No Paquistão, muitos trabalhadores informais não aderiram às paralisações por dependerem da renda diária, segundo a AP.

No continente africano, atos no Marrocos e na África do Sul denunciaram o encarecimento de combustíveis, alimentos e serviços. A central sindical Cosatu classificou o momento como uma “crise de dignidade”.

Banda Aceh, Indonésia: trabalhadores participam de ato do 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores (Chaideer Mahyuddin/AFP)

Em Gaza, crise impede qualquer mobilização

Na Faixa de Gaza, a data passou sem protestos. A guerra e o colapso econômico impediram qualquer tipo de mobilização. Segundo a Al Jazeera, cerca de 550 mil trabalhadores estão sem renda entre Gaza e a Cisjordânia.

O caso ilustra um cenário limite: em vez de reivindicar direitos, parte da população enfrenta a impossibilidade de trabalhar e de manter condições básicas de sobrevivência.

*Com informações da AFP e Agência Brasil

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