A gigante asiática por trás de 820 milhões de clientes que decidiu apostar no Brasil

Por Isabela Rovaroto 4 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A gigante asiática por trás de 820 milhões de clientes que decidiu apostar no Brasil

Pouco conhecida do público brasileiro, a Singtel é uma das maiores companhias de telecomunicações e infraestrutura digital da Ásia.

Fundada em Singapura, a empresa tem presença em mais de 20 países e atende mais de 820 milhões de clientes móveis por meio de operações próprias e participações. A companhia opera redes de próxima geração, infraestrutura digital e negócios digitais, com destaque para as operações regionais de data centers (Nxera) e serviços de TI (NCS).

Agora, decidiu dar um passo inédito ao anunciar a abertura de uma operação no Brasil, a primeira na América do Sul.

A entrada no Brasil faz parte de uma estratégia que busca ampliar a atuação em mercados emergentes com alta demanda por conectividade corporativa, serviços digitais e soluções baseadas em inteligência artificial.

O escritório brasileiro, segundo a empresa, deve estar operacional até o terceiro trimestre de 2026 e funcionará como uma base para atender tanto multinacionais com operações na América Latina quanto companhias brasileiras interessadas em expandir seus negócios para a Ásia.

“A Singtel exerce um papel único como ponte digital entre Brasil, América Latina e Ásia”, afirmou Ng Tian Chong, CEO da Singtel Singapore. "A operação brasileira permitirá oferecer suporte mais próximo e ágil a clientes globais que já operam no país e dependem de redes seguras, integradas e de alto desempenho", completa.

Como principal provedora de infraestrutura digital da Ásia-Pacífico, a Singtel construiu sua relevância longe do mercado de consumo de massa brasileiro. O foco está em conectividade empresarial, redes globais e serviços digitais para grandes companhias com operações distribuídas em diferentes países.

Ao longo das últimas décadas, o grupo consolidou presença em mercados desenvolvidos e emergentes, apoiando desde cadeias globais de manufatura até empresas de serviços financeiros, logística e tecnologia.

Além de ser a maior economia da região, o Brasil aparece no radar da empresa como um mercado com alta adoção de internet, crescimento acelerado do uso de nuvem, automação e dados, e demanda crescente por infraestrutura voltada à transformação digital.

Também pesa o fator geopolítico. O comércio entre o Brasil e os países da ASEAN, bloco que reúne economias como Singapura, Indonésia e Tailândia, já supera US$ 37 bilhões por ano, colocando a região entre os principais destinos das exportações brasileiras. A Singtel quer atuar como elo tecnológico entre empresas latino-americanas e mercados asiáticos.

O Brasil como ponte digital com a Ásia

Diferentemente das operadoras tradicionais, a Singtel não chega ao Brasil para disputar o mercado de infraestrutura física, como redes móveis ou banda larga ao consumidor final. Seu modelo de negócios está concentrado em uma camada superior da conectividade: a orquestração digital de redes corporativas globais.

Na prática, operadoras locais seguem responsáveis pela infraestrutura (fibra, 4G e 5G), enquanto a Singtel atua como integradora, conectando essas redes a plataformas globais que permitem às empresas gerenciar, monitorar e proteger operações distribuídas em vários países a partir de um único ambiente.

Esse modelo ganha relevância à medida que grandes empresas espalham fábricas, escritórios, centros logísticos e cadeias de suprimento por diferentes regiões do mundo. Quanto mais distribuída a operação, maior a complexidade de manter desempenho, segurança e visibilidade da rede. É justamente nesse ponto que a Singtel busca se posicionar.

A aposta em inteligência artificial é central nessa estratégia. A empresa desenvolveu plataformas que utilizam IA para simplificar a gestão de redes híbridas, que combinam fibra óptica, 5G, cabos submarinos e, em alguns casos, conectividade via satélite em áreas remotas.

Essas soluções permitem antecipar falhas, otimizar o uso da rede, garantir níveis elevados de segurança e reduzir custos operacionais, liberando as equipes de tecnologia das empresas para focar no core do negócio.

A companhia já atende multinacionais com operações relevantes no Brasil, como a Nestlé, e avalia que a presença física no país tende a fortalecer esses relacionamentos, oferecendo maior proximidade comercial e técnica. Ao mesmo tempo, vê potencial crescente no movimento inverso: apoiar empresas brasileiras que buscam acessar mercados asiáticos.

Atualmente, mais de uma centena de companhias do Brasil já operam em Singapura como porta de entrada para a região, caso da Embraer, que fornece aeronaves para companhias aéreas asiáticas.

Não há, por enquanto, um valor público de investimento anunciado para a operação brasileira. Segundo a empresa, o foco inicial está na construção de capacidades locais, com a formação de uma equipe majoritariamente brasileira em áreas como vendas, pré-vendas e engenharia, além do desenvolvimento de parcerias com operadoras e provedores de tecnologia. A expansão da estrutura deve ocorrer de forma gradual, acompanhando a demanda do mercado.

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