A operação que levou o 5G da TIM ao extremo da Antártica

Por Laura Pancini 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A operação que levou o 5G da TIM ao extremo da Antártica

Foram quatro missões, cerca de 500 quilos de equipamentos e uma janela operacional de poucas semanas por ano para ativar o 5G da TIM na Antártica.

O projeto, concluído recentemente, conecta a Estação Antártica Comandante Ferraz a uma infraestrutura de dados em tempo real e marca a etapa mais recente de uma estratégia iniciada em 2022, quando a operadora assumiu ativos herdados da Oi no continente.

Mais do que oferecer velocidade de rede, ela altera a forma como a ciência brasileira coleta, processa e compartilha dados em um dos ambientes mais extremos do planeta.

Com cobertura de até 10 quilômetros e mais de 50 terabytes de dados trafegados desde 2023, a base deixa de depender de discos físicos e passa a operar com transmissão contínua.

Dados que antes levavam meses para chegar ao Brasil agora são enviados instantaneamente e podem alimentar modelos de inteligência artificial, tecnologia que analisa grandes volumes de informação para gerar padrões e previsões.

“Quando você combina tecnologia com desenvolvimento sustentável, a Antártica se torna uma materialização clara dessa estratégia”, afirma Alberto Griselli, CEO da TIM Brasil.

Estação Antártica Comandante Ferraz: dados que antes levavam meses para chegar ao Brasil agora são enviados instantaneamente (TIM Brasil /Divulgação)

A ativação do 5G é resultado de uma sequência de etapas: primeiro a estabilização do 3G e 4G, depois a ampliação de cobertura com a faixa de 700 MHz — frequência que alcança distâncias maiores — e, por fim, a instalação de uma arquitetura satelital redundante, pré-requisito para redes de alta capacidade.

Segundo Marco Di Costanzo, CTO da TIM Brasil, a operação exigiu o que ele define como infraestrutura de missão crítica, projetada para operar sob temperaturas extremas e ventos que podem ultrapassar 160 km/h. Antenas com sistemas de aquecimento e proteção contra vibração fazem parte da adaptação necessária para manter a rede estável.

A cada ano, uma nova missão revisa equipamentos, amplia capacidade e corrige falhas — sempre com planejamento que começa cerca de 12 meses antes. “Não pode esquecer nada. Se faltar um componente, você compromete a missão inteira”, afirma o executivo.

Entre ciência, segurança e rotina

A conectividade passa a cumprir três funções principais na base: pesquisa científica, segurança operacional e bem-estar.

Cerca de 180 pesquisadores estiveram na Antártica em 2025, envolvidos em 27 projetos ligados às mudanças climáticas.

No campo científico, sensores, câmeras e equipamentos de medição passam a operar conectados, enviando dados em tempo real. Isso permite, por exemplo, integrar pesquisas locais com centros acadêmicos no Brasil e no exterior.

“A conectividade permite coletar e transferir dados científicos em tempo real, conectando diferentes centros de pesquisa”, disse Di Costanzo.

A mudança também reduz o intervalo entre coleta e análise — um fator relevante em estudos climáticos, onde variáveis mudam rapidamente.

No campo operacional, a rede funciona como camada adicional de segurança. Um dos episódios relatados durante as missões envolveu o resgate de uma pesquisadora em risco de hipotermia após mudança repentina no clima.

“Estávamos sem comunicação via rádio”, diz o engenheiro Guilherme Laubert, responsável pela implementação do 5G no local. “Graças à rede, foi possível fazer o resgate da pesquisadora”.

O que a Antártica revela para a TIM?

Se, por um lado, o projeto atende à pesquisa científica, por outro ele funciona como um laboratório para aplicações comerciais.

“A conectividade em um ambiente extremo como esse mostra que é possível suportar operações críticas em outros contextos”, afirma Di Costanzo.

A lógica é transferir o aprendizado para setores como mineração, energia e logística, áreas que operam em locais remotos e exigem comunicação em tempo real.

Dentro da própria TIM, o próximo passo já está desenhado: levar edge computing (processamento de dados próximo à fonte de coleta) para a base antártica. A ideia é permitir que análises avancem sem depender integralmente de infraestrutura externa.

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