Ata do Copom: BC cita guerra e evita sinalizar próximos passos da Selic

Por André Martins 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ata do Copom: BC cita guerra e evita sinalizar próximos passos da Selic

O Banco Central manteve, na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira, 5, o tom de cautela e não indicou os próximos passos do ciclo de cortes da Selic.

O documento reforça que o ambiente de incerteza, principalmente relacionado à guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, e os sinais mistos da economia exigem mais informações antes de qualquer nova decisão.

“Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo”, afirmou o Copom.

Na última quarta-feira, 10, a taxa Selic foi reduzida para 14,50% ao ano, queda de 0,25 ponto percentual. A decisão, segundo a ata, é compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta e busca equilibrar o controle de preços com a atividade econômica.

A autoridade monetária indicou que a continuidade do ciclo dependerá da evolução dos dados econômicos e do cenário internacional.

"O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", disse em Ata.

O Copom também ressaltou que os sinais da economia doméstica seguem mistos, com desaceleração da atividade, mas mercado de trabalho ainda resiliente, o que reforça a necessidade de uma condução cuidadosa da política monetária.

Como a EXAME mostrou, o comunicado dividiu economistas entre a continuidade ou a pausa no ciclo de cortes de juros.

Pressão fiscal e riscos no radar

O documento chama atenção para o papel da política fiscal no controle da inflação. Segundo o BC, incertezas sobre a sustentabilidade da dívida pública e possíveis retrocessos em reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia.

O Comitê destacou que a inflação voltou a acelerar nas últimas divulgações, afastando-se da meta. As expectativas também seguem desancoradas para os próximos anos, com projeções de 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027, segundo o Boletim Focus.

O Copom reforçou a necessidade de coordenação entre política fiscal e monetária, defendendo medidas previsíveis e anticíclicas. A avaliação é que desequilíbrios fiscais podem aumentar o custo do processo de desinflação.

No balanço de riscos, o Comitê apontou tanto fatores de alta quanto de baixa para a inflação. Entre os principais riscos altistas estão a persistência da desancoragem das expectativas, a inflação de serviços mais resistente e pressões cambiais.

Por outro lado, uma desaceleração mais forte da economia doméstica ou global, além de queda nos preços de commodities, pode contribuir para reduzir a inflação.

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