Bitcoin atinge maior preço desde janeiro, mas cenário exige cautela

Por Mariana Maria Silva 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Bitcoin atinge maior preço desde janeiro, mas cenário exige cautela

Nesta terça-feira, 5, o bitcoin ultrapassou os US$ 81 mil pela primeira vez desde 31 de janeiro. A maior criptomoeda do mundo apresentou queda significativa no início do ano, mas sinaliza recuperação nos últimos meses. Depois de registrar queda de 50% desde sua máxima histórica de US$ 126 mil, agora este número reduziu para 37%.

No momento, o bitcoin é cotado a US$ 81.415, com alta de 3% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Nos últimos trinta dias, a criptomoeda acumula alta de quase 22%.

"O bitcoin retomou níveis que não eram vistos há meses e sinaliza a volta de um fluxo comprador mais consistente. A alta vem acompanhada de uma retomada relevante da demanda institucional", explicou Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget na América Latina.

"Do ponto de vista técnico, a região dos US$ 83,4 mil — onde está a média móvel de 200 dias — passa a ser o principal nível de atenção. Um rompimento consistente acima dessa faixa tende a fortalecer o cenário de continuidade da alta. No campo de sentimento, o Índice de Medo e Ganância em 50 indica um mercado mais equilibrado, sem sinais claros de euforia, o que abre espaço para a entrada de novos fluxos", acrescentou.

Por que o bitcoin disparou?

A maior criptomoeda do mundo vinha amargando perdas desde o final de 2025, acumulando queda de aproximadamente 50% desde sua máxima histórica. Agora, essa porcentagem foi reduzida para 37% conforme o bitcoin apresenta alta significativa.

"O bitcoin mantém trajetória de alta no curto prazo, sustentado principalmente por fluxos institucionais e pela atuação de investidores de longo prazo. Os ETFs de BTC nos EUA registraram entradas robustas de US$ 532,3 milhões no último dia, indicando continuidade da demanda institucional", disse Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin.

"No mesmo sentido, investidores de longo prazo adicionaram mais 10,4 mil BTC às suas posições, levando o saldo acumulado próximo de uma máxima histórica e reforçando a tese de escassez e acumulação estrutural", acrescentou.

Previsão para o bitcoin

Rony Szuster aponta que o mercado apresenta viés construtivo, sustentado por três pilares principais:

"Por outro lado, o ambiente ainda exige cautela. O bitcoin enfrenta resistência psicológica relevante na faixa dos US$80 mil a US$81 mil, enquanto o cenário geopolítico adiciona volatilidade potencial. No curto prazo, o mercado segue dependente de novos gatilhos macro e da continuidade dos fluxos para sustentar o movimento de alta", acrescenta o especialista.

Impactos do cenário macro

Nos últimos meses, o cenário macroeconômico e geopolítico tem exercido grande impacto na cotação de ativos de risco como as criptomoedas. Essa dinâmica ainda deve se manter, segundo especialistas, que mencionam a força do dólar e o impasse no Estreito de Ormuz:

"A dinâmica recente tem sido mais influenciada por fatores como a força do dólar e o desmonte de posições especulativas do que por fluxos clássicos de proteção geopolítica. Nesse contexto, os fluxos consistentes para ETFs de bitcoin não parecem coincidentes. Há sinais de uma rotação mais silenciosa por parte de investidores institucionais, que passam a considerar o BTC ao lado do ouro — e, em alguns casos, como alternativa preferencial — dentro das estratégias de hedge",

"Se o impasse em Ormuz se estender ao longo do terceiro trimestre, a tendência é de que o ouro continue pressionado por petróleo e liquidez mais restrita, enquanto o bitcoin oscile na faixa entre US$ 68 mil e US$ 84 mil e o Ethereum entre US$ 2.2 mil e US$ 2.6 mil, ainda sustentados pelo interesse institucional. Esse cenário reforça uma abordagem mais equilibrada de proteção, com ativos digitais ganhando espaço ao lado dos tradicionais", concluiu o especialista.

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