Cataratas do Iguaçu: plano de R$ 600 milhões quer levar parque a 4 milhões de visitantes

Por Bianca Camatta 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cataratas do Iguaçu: plano de R$ 600 milhões quer levar parque a 4 milhões de visitantes

Em meio à retomada do turismo e ao aumento dos investimentos em atrativos no Brasil, o Grupo Cataratas acelera um ciclo de investimentos no Parque Nacional do Iguaçu.

A expectativa é que, após a conclusão das obras, o parque amplie significativamente sua capacidade de atendimento, podendo chegar a até 4 milhões de visitantes por ano.

O projeto integra uma estratégia mais ampla de requalificação do destino, que combina preservação ambiental, novas atrações e aumento do tempo de permanência dos turistas na unidade de conservação.

Foco em Foz do Iguaçu

O principal investimento do Grupo Cataratas está centrado no Parque Nacional do Iguaçu, onde estão localizadas as Cataratas do Iguaçu. O grupo, ao lado da Urbia, investe R$ 600 milhões até 2030 na revitalização do parque.

“Hoje, o parque opera com estruturas concebidas há mais de 20 anos, quando recebia cerca de 700 mil visitantes por ano. Agora, com um fluxo acima de 2 milhões de turistas, estamos preparando o Parque Nacional do Iguaçu para os próximos 30 anos, com capacidade para chegar a 4 milhões de visitantes”, afirma Pablo Morbis, CEO do Grupo Cataratas.

O investimento também inclui a criação de novas experiências dentro da unidade de conservação, como circuitos de aventura em meio à Mata Atlântica, trilhas elevadas, áreas de observação e atividades imersivas voltadas ao turismo de natureza.

Parque Nacional do Iguaçu ganha ciclovias que conectam trilhas e experiências em meio à Mata Atlântica ( Divulgação | Urbia+Cataratas)

O projeto contempla ainda a ampliação do restaurante Porto Canoas, a modernização dos elevadores e passarelas, além da expansão da trilha principal das Cataratas.

A estratégia do grupo passa por aumentar o tempo de permanência dos visitantes no parque. O destino ganhou novas atrações, como o Espaço Naipi — café instalado em uma antiga usina revitalizada dentro do parque —, além de experiências como amanhecer nas Cataratas, visitas noturnas e atividades de astroturismo realizadas em áreas de baixa poluição luminosa.

“O visitante não quer mais apenas conhecer o destino, ele quer viver experiências. Nosso objetivo é fazer com que as pessoas passem mais tempo dentro do parque e descubram que ele vai muito além das Cataratas”, diz Morbis.

As intervenções no Parque Nacional do Iguaçu serão realizadas de forma faseada, ao longo dos próximos anos, para garantir a continuidade da visitação durante todo o período de obras.

A estratégia é permitir que o visitante siga aproveitando o atrativo normalmente, enquanto as melhorias são executadas em diferentes frentes dentro da unidade de conservação.

Espaço Usina: antiga estrutura do parque é revitalizada e ganha novo uso como café e área de convivência ( Divulgação | Urbia+Cataratas)

A aposta na cidade fronteiriça continua por meio de outras atrações turísticas. “Costumo dizer que o turismo é um dos poucos setores que não têm concorrência. Quando você reúne diferentes atrativos em um mesmo destino, todo mundo cresce junto. Um aquário, uma roda-gigante, um museu e um parque natural próximos uns dos outros tornam o destino muito mais forte do que cada atração isolada”, afirma.

Pensando em impulsionar o turismo na cidade, o grupo investiu cerca de R$ 40 milhões para ampliar o Marco das Três Fronteiras, onde é possível ver o encontro entre Brasil, Paraguai e Argentina e assistir apresentações que misturam as três culturas.

O grupo inaugurou ainda no final de 2025 o Aquário Foz do Iguaçu para ampliar o turismo de experiência na região.

O espaço reúne espécies de água doce da bacia do Rio Paraná, além de animais do Pantanal e de ambientes marinhos, em um projeto que combina entretenimento, educação ambiental e conservação.

Novos projetos no Rio

Embora o maior volume de investimentos esteja concentrado no Parque Nacional do Iguaçu, o Grupo Cataratas também vem expandindo projetos no Rio de Janeiro.

Segundo Morbis, a companhia tem apostado na ampliação de experiências dentro do AquaRio, com atrações complementares como espaços instagramáveis, museu de cera e a Globo Experience, parque temático ligado à emissora.

Outro projeto em desenvolvimento é o futuro museu do Cristo Redentor. A proposta é transformar a história da construção do monumento em uma experiência imersiva para os visitantes.

Além disso, o executivo afirmou que o grupo segue avaliando novos projetos turísticos na capital fluminense, embora o foco atual esteja na implementação das obras e melhorias já contratadas.

Execução e crescimento

O Grupo Cataratas vive um momento de expansão, mas com foco na consolidação dos projetos já em execução – já que o grande desafio é implementar as obras que já estão em andamento.

“Nunca tira o olhar de novos negócios, mas hoje o foco da empresa é entregar aquilo que já está contratado”, diz Morbis.

No plano mais amplo, o executivo destaca que o setor de turismo enfrenta desafios estruturais que vão além da companhia, como escassez de mão de obra qualificada, questões regulatórias e a necessidade de adaptação a mudanças legislativas.

Outro ponto de atenção para o setor, segundo Morbis, é o debate sobre mudanças na jornada de trabalho, incluindo a possível revisão do modelo de escala 6x1.

“O nosso setor trabalha quando todo mundo para. É um setor muito intensivo em mão de obra, principalmente em finais de semana e feriados, e precisa de flexibilidade para funcionar”, diz.

Para ele, qualquer mudança nesse modelo deve ser tratada de forma técnica e dentro de acordos que respeitem as especificidades da atividade turística, evitando impactos na operação e na experiência dos visitantes.

“Estamos buscando uma discussão técnica para que as características e particularidades do turismo sejam consideradas em um caráter de excepcionalidade na lei. Neste momento, o que se busca é justamente abrir esse debate e avaliar possíveis formas de contrapartida para mitigar eventuais impactos”, diz Morbis, que também é o presidente do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat).

Apesar dos desafios, o CEO avalia que o setor segue em trajetória de crescimento e resiliência, impulsionado pela retomada do turismo e pelo aumento dos investimentos em atrativos no país.

“É um setor extremamente resiliente. Mesmo após a pandemia, vimos que a maior parte dos benefícios e incentivos foi revertida em investimento, o que mostra a força e o comprometimento do setor”, afirma.

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