Cientistas descobrem DNA antigo que reescreve a queda do Império Romano

Por Vanessa Loiola 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas descobrem DNA antigo que reescreve a queda do Império Romano

O colapso do Império Romano do Ocidente, no século V, não foi marcado por invasões em massa, mas por um processo gradual de mistura entre populações. A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature, que analisou o DNA antigo de mais de 200 indivíduos enterrados no sul da atual Alemanha.

Os dados indicam que a transformação genética e cultural da Europa ocorreu ao longo de gerações por meio de migrações em pequena escala e da formação de famílias entre diferentes grupos.

DNA muda a história da Europa

A pesquisa contesta a visão tradicional de que tribos do norte teriam invadido violentamente territórios romanos. Segundo os autores, muitos indivíduos com ancestralidade do norte da Europa já viviam na região antes mesmo da queda de Roma, em 476 d.C.

Essas populações não chegaram como grandes grupos organizados, mas como famílias que se estabeleceram gradualmente e passaram a se integrar às comunidades locais.

Após o fim do domínio romano, os pesquisadores identificaram um aumento na mistura genética entre populações do norte e do sul da Europa. A análise de árvores genealógicas sugere que esses grupos passaram a se casar entre si rapidamente.

Esse processo contribuiu para a formação de uma ancestralidade mais diversa, semelhante à observada em populações europeias modernas.

O estudo também identificou padrões sociais que se consolidaram no período pós-romano. As comunidades eram organizadas principalmente em torno de famílias nucleares (formadas por pais e filhos), com predominância da monogamia e baixo nível de relações entre parentes próximos.

Outro ponto relevante é que os vínculos familiares não eram exclusivamente patrilineares — ou seja, não se baseavam apenas na linhagem do pai. Há evidências de indivíduos enterrados próximos a parentes maternos, indicando estruturas familiares mais flexíveis.

Como viviam após a queda do Império

A reconstrução dos dados genéticos permitiu estimar aspectos demográficos dessas populações. A expectativa de vida era de cerca de 43 anos para homens e 40 anos para mulheres, segundo a Nature.

A mortalidade infantil também era significativa: aproximadamente 10% dos meninos e 8% das meninas morriam ainda na infância. Além disso, cerca de um quarto das crianças de 10 anos já havia perdido pelo menos um dos pais.

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