Como a China tem levado países da Ásia a se afastarem do dólar

Por Matheus Gonçalves 5 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como a China tem levado países da Ásia a se afastarem do dólar

Seguindo uma iniciativa de Pequim para internacionalizar o yuan, a moeda chinesa, na Ásia, a China fecha cada vez mais acordos comerciais com países do Sudeste Asiático, que formam o bloco da Asean, possibilitando pagamentos em moedas locais e em yuan por meio de uma miríade de aplicativos que variam de país para país. Esse movimento reduz a dependência do dólar para transações internacionais.

Na Indonésia, por exemplo, um novo sistema de pagamentos internacionais por QR Code foi lançado nesta quinta, 30, que permite que usuários realizem transações em qualquer país, em suas próprias moedas. Especialistas julgam que o sistema é um passo em direção a laços financeiros mais profundos entre os países e uma redução de riscos comerciais para ambos os lados.

Na Tailândia, visitantes chineses já podem usar carteiras digitais domésticas para realizar pagamentos em yuan por meio de aplicativos semelhantes desde outubro. No Vietnã, na Malásia e em Singapura, a iniciativa também está presente, estimulando o comércio em moedas locais. Além disso, o vice-diretor do Banco Popular da China, Zhu Hexin, se encontrou com líderes de bancos centrais da Ásia, conversando com representantes da Asean, do Japão e da Coreia do Sul em cúpula no Uzbequistão, nesse domingo, 3.

“Para Pequim, os principais fatores parecem ser o avanço dos esforços de desdolarização, a promoção do uso internacional do yuan e o fortalecimento da integração econômica com os principais parceiros da ASEAN, em meio a pressões geopolíticas mais amplas por autonomia financeira”, diz à South China Morning Post, jornal de Hong Kong, a economista-chefe para a Ásia do banco francês Natixis, Alicia Garcia-Herrero.

Internacionalização do yuan e a dependência do dólar

Transformar a moeda chinesa em opção internacional é um objetivo chinês importante, pois ao mesmo tempo que apresenta a China como um parceiro econômico cada vez mais relevante, também ajuda países pela Ásia a reduzir a dependência de canais dominados pelo dólar em meio a tensões geopolíticas com os EUA de Trump e ao medo do uso do dólar como ferramenta de coerção financeira.

Para esse fim, a estratégia de Pequim depende do Sistema de Pagamentos Transfronteiriços Interbank (CIPS, na sigla em inglês), uma alternativa chinesa à sistemas ocidentais para transações internacionais. A apuração do South China Morning Post revela ainda que cada vez mais bancos internacionais participam diretamente do sistema CIPS, o que aumenta a eficiência comercial com a China. Com isso, analistas esperam que os pagamentos internacionais em yuan se tornem mais robustos neste ano.

Outro objetivo, apura o veículo de Hong Kong, é fortalecer as compras de turistas na China, diretamente em yuan, o que fortaleceria o consumo doméstico e movimentaria a economia nacional, com incentivos além da exportação, uma parte importante do atual plano quinquenal. Para esse fim, a China também relaxou consideravelmente as regras de visto e estimulou o turismo – principalmente com países da Asean – para o país e vice-versa.

Apenas a Indonésia, por exemplo, registrou 1,34 milhão de visitantes chineses em 2025 – o maior número em seis anos –, o que representa 8,7% de todas as chegadas internacionais e torna a China a quarta maior fonte de turistas do país. A China também foi o quarto destino de viagem mais popular entre os indonésios no ano passado, representando quase 6,8% do total de viagens internacionais do país.

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