‘A força da loja física voltou’: Luiza Trajano explica a nova estratégia da Magazine Luiza
A volta do varejo físico deixou de ser tendência e virou realidade, pelo menos para quem acompanha de perto a NRF Retail's Big Show, maior feira do setor no mundo. Foi lá que um dos sinais mais claros apareceu: as lojas físicas não morreram, elas se reinventaram.
É nessa leitura que Luiza Helena Trajano baseia a nova fase do Magazine Luiza. E o principal símbolo dessa estratégia atende por um nome: Galeria Magalu, o novo conceito de loja da companhia na Avenida Paulista, com valor equivalente a 10 lojas.
“Eu brinco que a NRF botou a loja física doente, levou para a UTI, enterrou e agora ressuscitou. Porque nesses últimos anos todo mundo voltou a falar em loja física, mas de uma nova forma.”
A proposta da Galeria vai além do varejo tradicional. Trata-se de um espaço que mistura produtos, experiência, conteúdo e convivência, um ponto de encontro entre o físico e o digital.
“É um novo estilo de loja de departamento, um ponto de encontro”, diz Trajano, que afirma que há umas 20 lojas no Brasil que tem tamanho para se tornarem uma "Galeria Magalu".
No local, o Magalu reúne diferentes frentes do seu ecossistema, de marketplace a empresas adquiridas, criando uma vitrine física para um negócio que nasceu no varejo tradicional, se transformou no digital e agora busca integrar os dois mundos.
“Nós temos um ecossistema, várias empresas que nós podemos mostrar fisicamente”, afirma.
Veja a entrevista completa de Luiza Helena Trajano ao "De frente com CEO":
Do digital ao físico: a nova era das lojas Magalu
A estratégia pode parecer contraintuitiva em um momento de avanço do e-commerce, mas, segundo a executiva, ela reflete o comportamento do consumidor atual.
“Depois da pandemia o e-commerce sempre superou em vendas, mas a loja física é uma grande referência”, diz.
O diferencial está na integração. Hoje, o cliente pode comprar online e retirar em poucas horas na loja, usar o espaço físico como apoio e ainda transitar entre canais com fluidez.
“Você compra na internet e em duas horas vai numa das lojas nossa e retira o produto”, afirma.
Para Trajano, essa lógica nunca deixou de existir dentro da companhia, apenas ganhou novas ferramentas.
“A gente sempre acreditou em estar junto onde o consumidor quiser”, afirma.
Mais do que vender produtos, a nova loja passa a cumprir outro papel: gerar conexão.
Na Galeria Magalu, há espaços para convivência, café, eventos e até produção de conteúdo. A ideia é transformar a loja em um ambiente onde o consumidor queira permanecer, e não apenas comprar.
O movimento acompanha uma mudança global no varejo: lojas deixam de ser apenas pontos de venda e passam a ser hubs de experiência, relacionamento e logística.
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Galeria Magalu, na Avenida Paulista (Olavo Martins /Divulgação)
O próximo passo: consolidar o ecossistema
A trajetória da empresa também ajuda a explicar a visão de longo prazo da família que fundou a Magalu. Para Trajano, crescer exige adaptação constante, algo que ela viveu na prática.
“Se existe uma empresa que nasceu pequena, foi média, foi grande e é muito grande hoje, é o nosso negócio”, afirma.
Ao longo dessa evolução, parcerias foram decisivas para ampliar escala e consolidar a marca no Brasil. Desde campanhas com nomes como Silvio Santos e Faustão, até relações estratégicas com fornecedores e a construção de um marketplace robusto, a Magazine Luiza apostou em colaboração como motor de crescimento.
“A gente sempre fez muita parceria com fornecedor, com todo mundo”, diz a empresária.
Hoje, essa lógica se expande para o digital, com o marketplace abrindo espaço para pequenos e médios empreendedores ganharem visibilidade dentro do ecossistema da companhia.
O resultado dessa trajetória é um gigante do varejo nacional. O Magazine Luiza, que nasceu como uma pequena loja no interior de Franca, se transformou em uma plataforma multicanal com mais de 1.500 lojas espalhadas pelo país, cerca de 40 mil funcionários e um faturamento anual na casa de R$ 38 bilhões, alta de 1,7%.
Mais do que escala, os números refletem a capacidade de adaptação que Trajano defende, de uma empresa que cresceu acompanhando as mudanças do consumo e que agora aposta na integração entre físico, digital e serviços para sustentar a próxima fase de crescimento.
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