Como mulheres estão ajudando a redefinir a tecnologia no setor financeiro
Por Ana Claudia Scabello Salatini*
Nos últimos anos, a digitalização dos serviços financeiros colocou a tecnologia no centro das estratégias empresariais e transformou a forma como as instituições financeiras operam, se conectam com parceiros e desenvolvem novos serviços. As decisões sobre arquitetura de sistemas, governança de dados e integração de plataformas deixaram de ser escolhas técnicas para impactar diretamente a capacidade competitiva das empresas.
Não é novidade que a presença feminina em posições de liderança ainda não acompanha a velocidade dessa transformação, como resultado de um histórico em que decisões tecnológicas foram concentradas em ambientes predominantemente masculinos. Mas essa realidade também está se transformando, mesmo que ainda em um processo gradual.
Ao longo da minha trajetória em tecnologia da informação, trabalhando em ambientes corporativos complexos e no setor financeiro, muitas vezes participei de projetos ou discussões de alto nível em que poucas mulheres ocupavam posições técnicas ou de liderança.
Essa experiência reforçou uma convicção que carrego na minha atuação profissional: a tecnologia é uma ferramenta estratégica para resolver problemas de negócio, melhorar operações e criar novos modelos de serviço. Quando diferentes experiências e visões participam dessas decisões, aumentam as chances de desenvolver soluções mais eficientes, seguras e alinhadas às necessidades reais do mercado.
O setor financeiro está passando por uma mudança estrutural que exige ambientes tecnológicos cada vez mais integrados, capazes de escalar com segurança, ao mesmo tempo em que aproveitam sistemas legados que nem sempre foram projetados para lidar com a complexidade e a velocidade exigidas pelo ambiente digital atual.
Modernizar essas estruturas exige planejamento e execução cuidadosa, como acontece na Brink's, onde a modernização tecnológica sustenta eficiência operacional, escalabilidade e geração de valor para o negócio, ao mesmo tempo em que permite a evolução contínua dos serviços oferecidos aos clientes.
As decisões tomadas pelas equipes de tecnologia têm papel ativo na estratégia das organizações. Essa é uma realidade que eu vivencio ao participar de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de negócios, mas ainda ao lado de poucas colegas mulheres.
Vejo que muitas mulheres têm interesse em construir carreira na área, mas ainda encontram barreiras relacionadas a estereótipos ou à subestimação de suas capacidades técnicas. Esse é um desafio que vem sendo enfrentado de forma objetiva por profissionais qualificadas que estão conseguindo assumir papel de liderança, como o meu.
Empresas que desejam fortalecer suas áreas de tecnologia precisam investir na formação de talentos, criar ambientes profissionais que valorizem diferentes trajetórias e ampliar oportunidades para que diferentes profissionais possam desenvolver competências técnicas e de liderança. É nessa diversidade de formações e visões que mora a inovação tecnológica eficiente.
Da mesma forma, profissionais que desejam seguir carreira em tecnologia precisam investir continuamente em conhecimento, participar de projetos complexos e assumir responsabilidades que ampliem sua experiência dentro das organizações.
Projetos de integração de sistemas, modernização de plataformas e gestão de dados em larga escala são exemplos de experiências que ajudam a formar lideranças preparadas para conduzir a transformação digital do setor.
A tecnologia continuará sendo um dos principais motores de transformação do setor financeiro nos próximos anos. A expansão de serviços digitais, a integração entre diferentes plataformas e o uso cada vez mais sofisticado de dados devem seguir redefinindo a forma como empresas operam e se relacionam com seus clientes.
Garantir que mais mulheres participem desse processo é uma forma de ampliar a base de conhecimento estratégico do negócio e fortalecer a capacidade das organizações de lidar com desafios cada vez mais complexos. Falo isso não por ser bonito ter diversidade na empresa. Falo para ir muito além, pensando de forma estratégica nos diferenciais competitivos das empresas.
Transformações estruturais como as que estamos vivendo exigem liderança, visão de longo prazo e capacidade de conduzir mudanças em ambientes de grande escala. Ampliar a presença feminina nas áreas de tecnologia é parte desse processo de evolução dos negócios.
*Ana Claudia Scabello Salatini é Diretora de Tecnologia da Informação da Brink’s Brasil.
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