Desenrola 2.0: 7 em cada 10 têm dívidas com cartão de crédito, diz Serasa
O governo lançou nesta semana o Desenrola 2.0, o programa de renegociação de dívidas que vai proporcionar para quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 8.105) renegociar suas dívidas com bancos e instituições financeiras – e o número é alto. Sete em cada 10 brasileiros têm débitos bancários, aponta uma pesquisa da Serasa com a Opinion Box de abril de 2026.
Desse número, 37% têm dívidas superiores a R$ 10 mil, enquanto 36% convivem com a dívida há mais de dois anos. A grande questão, segundo Aline Maciel, diretora da Serasa, é que o cartão de crédito é, muitas vezes, a porta de entrada da relação dos consumidores com a vida financeira. Entretanto, por falta de letramento em finanças, ele pode acabar prejudicando.
“O consumidor acaba usando o cartão de crédito para fazer o pagamento de contas básicas, como supermercado, e acaba visualizando como uma extensão do salário”, dise em coletiva à jornalistas nesta terça-feira, 5.
E o que leva a população ao endividamento bancário? Quase quatro em cada 10 responderam que é o desemprego ou a perda de renda. Entretanto, desafios de organização financeira também aparecem: 13% responderam que foi descontrole e desorgnaização financeira.
A pesquisa também mostra que mais da metade dos endividados com bancos concentram múltiplas dívidas na mesma instituição, sendo que 71% já tentaram renegociar essas dívidas, mas não conseguiram. Eles disseram (45%) se sentiriam mais confiantes em renegociar se tivessem acordo com desconto, redução de juros, e parcelamento acessível.
Desenrola 2.0
É justamente o que o programa se propõe – e a Serasa irá participar. O objetivo é atender diferentes públicos — pessoas físicas, estudantes, empresas e produtores rurais — em uma tentativa de frear a inadimplência e aliviar o orçamento em um momento de forte pressão financeira.
Segundo o Ministério da Fazenda, a implementação depende da adesão das instituições financeiras, que começarão a disponibilizar o programa nos dias seguintes ao anúncio, ainda que o ritmo de oferta varie de banco para banco.
O principal eixo da iniciativa é o Desenrola Famílias, voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. A proposta mira justamente a parcela mais pressionada da população, em um cenário em que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 29,7% em fevereiro, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 2005.
Na prática, o programa permite a renegociação de débitos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, desde que tenham sido contratados até 31 de janeiro de 2026 e estejam dentro da faixa de atraso estabelecida.
As condições incluem descontos relevantes, que variam conforme o tipo de dívida e o tempo de inadimplência: de 30% a 90% no total. No caso de rotativo do cartão e cheque especial, os abatimentos vão de 40% a 90%, enquanto no crédito pessoal ficam entre 30% e 80%.
Além dos descontos, o programa estabelece limites claros para tornar a renegociação mais acessível. A taxa de juros máxima será de 1,99% ao mês, e o prazo de parcelamento pode chegar a até 48 meses para contratos em atraso. A renegociação será feita diretamente pelos canais oficiais dos bancos.
Entretanto, a Serasa entra como um marketplace entre os consumidores e os bancos. Nela, será possível encontrar as dívidas elegíveis no programa do Desenrola e negociar diretamente com as instituições. A expectativa do órgão é que 7,7 milhões de ofertas do Desenrola 2.0 estejam disponíveis no ecossistema da Serasa.
Santander, Itaú, Bradesco, Banco Pan, Banco BMG, Banco BV, Neon e Nubank já estão dentro da plataforma e a Serasa espera que outras também entrem.
Outro ponto relevante é a limpeza automática do nome de consumidores com dívidas de até R$ 100, que deverão ser perdoadas pelas instituições financeiras. Para quem aderir ao programa, também haverá restrições: o CPF ficará bloqueado para apostas em casas de apostas por um período de 12 meses.
Para viabilizar a operação, os bancos contarão com garantias públicas e terão algumas contrapartidas. Entre elas, estão a obrigação de limpar o nome dos clientes tanto nas dívidas de até R$ 100 quanto nas renegociadas, destinar 1% do valor garantido pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO) para ações de educação financeira e impedir o uso de crédito para apostas.
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