Desenrola 2.0 foi calibrado para não ter distorções, diz CEO do Itaú

Por Mitchel Diniz 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Desenrola 2.0 foi calibrado para não ter distorções, diz CEO do Itaú

O presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que o banco participou ativamente da construção do Desenrola 2.0 e que os critérios do programa foram calibrados para não distorcer as práticas já vigentes no mercado de crédito.

Segundo Maluhy, o debate com o Ministério da Fazenda e as demais instituições financeiras, conduzido via FEBRABAN, foi orientado por uma preocupação central: criar os incentivos certos. "A gente foi muito cuidadoso para criar os incentivos adequados, com prazos de atraso e descontos para que isso não gere uma distorção ao que já é praticado pelo mercado", afirmou o executivo.

Os parâmetros definidos delimitam o público-alvo a famílias com renda de até cinco salários mínimos e inadimplência entre 90 dias e dois anos, perfil que, nas palavras de Maluhy, "já estava passando por uma dificuldade financeira" antes da criação do programa. "Esse foi o objetivo central, encontrar um programa que de fato pudesse ajudar as famílias", disse.

O CEO ressaltou que o Itaú já está operando dentro do Desenrola 2.0 e se preparou para atender os clientes elegíveis. Ponderou, no entanto, que esse público representa uma fatia proporcionalmente menor no portfólio do banco em relação ao que outras instituições do setor devem registrar.

Sobre a desnegativação, fez uma ressalva: ela depende de o cliente regularizar sua situação não apenas com o banco, mas com todos os credores, incluindo empresas de telefonia e outras que estão fora do escopo do programa.

Maluhy classificou o Desenrola como um programa episódico, que surge em resposta a momentos específicos de estresse econômico — e não por um calendário predefinido. "Ele não tem data e hora para começar um novo", afirmou. Como referência, citou o Desenrola 1.0, que nasceu para dar alívio às famílias no encerramento do ciclo de inadimplência pós-pandemia. O 2.0, na visão do executivo, cumpre papel semelhante diante do atual nível de comprometimento de renda das famílias.

Nova fase para adimplentes ainda sem formato definido

Durante a coletiva de imprensa sobre os resultados do banco no primeiro trimestre de 2026, Maluhy também foi questionado sobre uma possível fase do programa voltada a clientes que ainda pagam suas dívidas, mas estão com o orçamento pressionado. O executivo confirmou ter acompanhado sinalizações do governo nesse sentido, mas disse que uma conversa estruturada com as instituições financeiras ainda não aconteceu. "Por enquanto, é só manchete", afirmou.

Segundo ele, um programa para adimplentes teria "um certo ineditismo" e seria "mais desafiador na concepção" do que o modelo atual, voltado a inadimplentes com critérios objetivos de elegibilidade. O Itaú aguarda ser convocado para o debate, que deverá ocorrer, como de costume, por meio da Febraban. "Uma vez que se tem um desenho ou uma definição, aí eu consigo dar mais detalhes", disse Maluhy.

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