Ela não produz café — mas pode fazer a lavoura render até 67% mais

Por institucional 18 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ela não produz café — mas pode fazer a lavoura render até 67% mais

Uma abelha nativa brasileira pode ajudar a elevar a produção de café arábica em até 67%, segundo um estudo conduzido pela Embrapa e instituições parceiras sobre o potencial da polinização manejada desta espécie.

O trabalho mostrou que os ramos de café localizados próximos às colônias tiveram esse aumento de produtividade em comparação com áreas mais distantes das abelhas. Segundo os pesquisadores, isso permitiu associar o ganho de rendimento diretamente à atividade dos polinizadores.

Conhecida cientificamente como Scaptotrigona depilis, a abelha mandaguari é uma espécie de abelha sem ferrão encontrada em diferentes regiões do Brasil. O estudo aponta que ela consegue aumentar a produtividade até mesmo em cultivares autocompatíveis, ou seja, variedades do café capazes de se fecundar com o próprio pólen.

Para medir o impacto, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais antes do período de florada do café, em uma densidade aproximada de dez colônias por hectare. A partir dessa metodologia, conseguiram comparar a produção entre ramos próximos e distantes das colmeias.

Defensivos e abelhas

Além do aumento na produção, os pesquisadores também avaliaram se o uso de defensivos agrícolas poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o inseticida tiametoxam, usado anteriormente em áreas convencionais de cultivo.

Segundo a pesquisa, foram identificados resíduos do produto nas folhas, no néctar e no pólen, mas não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre indicadores das colônias avaliadas.

Os pesquisadores monitoraram indicadores como produção e mortalidade de crias, atividade de coleta de alimentos e materiais usados nas estruturas internas de seus ninhos, com avaliações em diferentes etapas da produção.

Para os autores, a conclusão é de que é possível conciliar produtividade agrícola com a preservação dos polinizadores, quando o manejo dos agrotóxicos segue recomendações técnicas.

O pesquisador Cristiano Menezes, coordenador do trabalho, reiterou a importância do resultado para a produção nacional. “Isso contribui para o desenvolvimento de estratégias integradas que aumentam a produtividade agrícola e promovem a sustentabilidade no campo”, afirmou.

A bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a integração da biodiversidade e produção agrícola. “Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, disse.

Pressão do mercado

A descoberta ganha relevância em um momento de pressão sobre o mercado global de café. Segundo dados da Organização Internacional do Café, a produção mundial no ciclo 2023 e 2024 foi estimada em 178 milhões de sacas, enquanto o consumo chegou a 177 milhões.

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destaca que eventos climáticos extremos têm pesado sobre a cafeicultura mundial, que contribuíram para a alta dos preços internacionais do café em 2024.

No Brasil, em 2025 o preço do café foi um dos principais vilões da inflação. O café moído acumulou alta de 35,68%, enquanto o solúvel subiu 25,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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