Empresa que recicla eletroeletrônicos quase faliu. Hoje fatura R$ 170 milhões

Por Júlia Arbex 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Empresa que recicla eletroeletrônicos quase faliu. Hoje fatura R$ 170 milhões

A Indústria Fox transforma lixo eletroeletrônico em valor. De forma simples, coleta equipamentos descartados, recicla ou remanufatura esses produtos e devolve materiais e bens para a cadeia produtiva.

No ano passado, a companhia faturou R$ 170 milhões, consolidando-se como a maior recicladora de eletrônicos do Brasil. Para 2026, a expectativa é continuar crescendo e assumir a liderança do setor na América Latina, especialmente após o investimento de mais de R$ 100 milhões na nova planta inaugurada em Campinas, no interior de São Paulo, em setembro. "Hoje, 90% da nossa operação já está instalada lá", conta o CEO, Marcelo Souza.

O resultado não é uma surpresa, já que a empresa entrou no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025, que reconhece os negócios que mais crescem no país. Em 2024, teve uma receita operacional líquida de R$ 90,4 milhões, 60% a mais do que nos 12 meses anteriores, quando registrou receita de R$ 56,5 milhões.

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Paulistano e filho de uma família simples, Marcelo teve o primeiro contato com o universo da reciclagem ainda criança, quando acompanhava o pai em um ferro-velho em Cabreúva, pouco mais de uma hora da capital paulista.

Seu primeiro trabalho foi como ajudante de pintor e, aos 18 anos, conseguiu emprego para fazer um serviço de reparo numa empresa que fabricava válvulas por aerossol. Ficou dois meses fazendo isso, se destacou entre os outros rapazes e foi chamado para ficar. "Foi o meu primeiro emprego com carteira assinada", lembra.

Acontece que o colocaram para exercer uma função que o frustrou. "Era muito comunicativo e sentia que o que estava fazendo não ia me levar a lugar nenhum", diz. Foi ali também que teve um estalo ao ver um engenheiro estrangeiro sendo chamado para operar uma máquina. Se trouxeram um engenheiro da Inglaterra para cá para fazer isso, quer dizer que está faltando profissional, pensou. Ele, então, decidiu estudar engenharia de produção mecânica.

Mas essa decisão veio acompanhada de sacrifícios. Sem dinheiro para pagar a faculdade, negociou dentro da empresa e encontrou uma solução inusitada para complementar a renda: aproveitar a sucata de papelão da empresa onde trabalhava para gerar renda e pagar o curso.

Dormia de três a quatro horas por noite, mas, ao terminar a graduação, aos 25 anos, não só era gerente industrial da multinacional alemã, como participava de projetos internacionais. "No dia 25 de fevereiro de 2006 me enviaram num avião para a Itália. Essa foi a minha primeira viagem internacional", diz.

Mesmo com a carreira indo bem, decidiu buscar novos caminhos. Em 2009, criou um projeto de formação profissional que oferecia aulas com apoio de amigos engenheiros. Foi por meio dessa iniciativa que surgiu o convite que mudou sua vida. Um empresário suíço interessado em instalar uma fábrica de reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil o chamou para liderar a implantação em Cabreúva.

Marcelo aceitou o desafio e, em nove meses, liderou a construção completa da primeira unidade, desde o terreno até a operação. "Saí de um escritório com ar-condicionado para obra, com barro até o tornozelo", conta. Em 2010, Marcelo ocupava o cargo de gerente industrial na companhia.

A virada de chave

A Indústria Fox nasceu com o objetivo de reciclar geladeiras e tratar gases nocivos ao meio ambiente. Mas o mercado não acompanhou, porque não havia geladeiras suficientes chegando para reciclagem. Diante da falta de volume, a Indústria Fox precisou se reinventar.

Passou a atuar em projetos de eficiência energética, principalmente em programas de troca de geladeiras e, com a recessão que se iniciou em 2014, começou a investir em remanufatura, recuperando produtos com pequenos defeitos para revenda.

Em 2018, já como CEO, Marcelo enfrentou um dos momentos mais difíceis. A empresa chegou a ter contas básicas cortadas e ele ficou meses sem salário. Ainda assim, insistiu no modelo.

Aos poucos, a operação se estabilizou, ganhou escala e encontrou novas oportunidades, inclusive durante a pandemia, quando lançou uma plataforma de venda online de produtos remanufaturados com pagamento somente na entrega, criando confiança no consumidor.

Atualmente, a Indústria Fox atua em duas frentes: a reciclagem e a remanufatura de eletroeletrônicos. No primeiro caso, a operação envolve a coleta de equipamentos descartados, triagem, desmontagem manual e mecanizada, trituração e separação de materiais, seguindo normas técnicas e ambientais específicas.

Esse processo abrange desde equipamentos de refrigeração, como geladeiras e freezers, até eletrônicos diversos, cada um com exigências industriais próprias.

Já na remanufatura, a empresa recupera produtos com defeitos ou avarias, transformando-os novamente em bens utilizáveis. Esses produtos são então comercializados, ampliando o acesso a bens com preços mais baixos e reduzindo desperdícios.

Entre os avanços mais recentes, estão projetos para recuperação de plásticos eletrônicos e estudos iniciais para extração de terras raras a partir de resíduos. A empresa também já aplica inteligência artificial em frentes como segurança industrial, com sistemas automatizados de prevenção a incêndios, e desenvolve soluções para rastrear componentes e facilitar o reaproveitamento de peças específicas.

Internamente, a companhia se diferencia por desenvolver a própria engenharia e construir suas máquinas, um modelo que, segundo o CEO, coloca a operação em "outro patamar".

A expansão

Todo esse desenvolvimento da Indústria Fox exigiu mais uma mudança. A unidade original em Cabreúva, com 20 mil metros quadrados de terreno, já não comportava mais a operação. A resposta veio com a construção de um novo complexo em Campinas, próximo ao Aeroporto de Viracopos.

A nova planta tem 100 mil metros quadrados de terreno e opera com a reciclagem de 200 a 300 toneladas de eletrônicos por dia.

Mesmo com a transferência das atividades para Campinas, Marcelo optou por não se mudar para Campinas, mantendo a família em Cabreúva. A decisão reflete uma visão pessoal sobre carreira e vida. "O equilíbrio é o segredo de uma vida boa", afirma.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

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