Falta de sono entra na lista de fatores de risco para demência, aponta estudo

Por Vanessa Loiola 17 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Falta de sono entra na lista de fatores de risco para demência, aponta estudo

Dormir pouco ou mal pode ter impactos que vão além do cansaço diário. Um estudo recente indica que a insônia pode estar associada a uma parcela relevante dos casos de demência nos Estados Unidos, reforçando o papel do sono como fator importante na saúde cerebral ao longo do envelhecimento.

Publicado no The Journals of Gerontology: Series A, a pesquisa estima que cerca de 12% dos diagnósticos de demência nos EUA — o equivalente a aproximadamente meio milhão de pessoas — estão associados a distúrbios do sono, como dificuldade para adormecer ou manter o sono ao longo da noite.

Insônia entra na lista de fatores de risco modificáveis

O dado chama atenção por colocar a insônia no mesmo grupo de outros fatores considerados potencialmente modificáveis, como hipertensão arterial, perda auditiva e sedentarismo. Isso significa que, ao menos em nível populacional, melhorar a qualidade do sono poderia ajudar a reduzir a carga da doença.

A pesquisa foi liderada por Yuqian Lin, analista de dados do Hospital Geral de Massachusetts. Em entrevista ao site Science News, a pesquisadora explicou que o estudo não comprova que a insônia cause demência em indivíduos específicos, mas busca estimar o quanto esse distúrbio pode contribuir para o total de casos observados na população.

Para realizar a análise, os pesquisadores utilizaram dados do National Health and Aging Trends Study (NHATS), um acompanhamento de longo prazo que reúne informações de cerca de 5,9 mil adultos americanos com 65 anos ou mais.

Os participantes relataram dificuldades para adormecer, manter o sono durante a noite ou ambas as situações. Já a identificação da demência foi feita por meio de testes cognitivos padronizados, além de informações fornecidas por familiares e cuidadores.

Mulheres e idosos mais jovens foram mais impactados

Ao cruzar os dados do NHATS com resultados de grandes meta-análises sobre sono e cognição, a equipe observou variações entre os grupos analisados.

As mulheres apresentaram uma proporção ligeiramente maior de casos associados à insônia, assim como pessoas no fim dos 60 anos e início dos 70 anos. Entre os idosos com maior idade, o impacto relativo do sono foi menor, possivelmente devido à influência crescente de outros fatores neurológicos e vasculares.

Relação entre sono e demência exige cautela

Apesar dos números expressivos, os autores ressaltam que a relação entre insônia e demência é complexa e pode funcionar em duas direções. Alterações cerebrais iniciais podem se manifestar como problemas de sono, ao mesmo tempo em que noites mal dormidas podem contribuir para o envelhecimento do cérebro.

Especialistas destacam, porém, que existem mecanismos biológicos plausíveis que sustentam a hipótese de risco, como:

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