Forças dos EUA atacam sul do Irã após Trump ressaltar progressos em acordo de paz

Por Mateus Omena 26 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Forças dos EUA atacam sul do Irã após Trump ressaltar progressos em acordo de paz

As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira, 25, ataques que classificaram como ações “de autodefesa” no sul do Irã, informou o United States Central Command. A ofensiva começou horas após o presidente americano Donald Trump ter declarado que as negociações com Teerã sobre um acordo provisório estavam progredindo, informou a Bloomberg.

O ataque americano-israelense ocorreu ao sul da Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, e resultou na morte de vários militares iranianos, informou a agência de notícias estatal iraniana Nour News, sem fornecer mais detalhes.

A ofensiva acontece enquanto representantes de Washington e Teerã seguem negociando um acordo para tentar encerrar de forma definitiva a guerra iniciada no fim de fevereiro.

De acordo com o Comando Central americano, conhecido como CentCom, os alvos atingidos incluíam pontos de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que, segundo os EUA, estariam sendo utilizadas para instalar minas subaquáticas.

As forças americanas afirmaram que a operação ocorreu “de forma limitada durante o cessar-fogo em curso” e teve como objetivo proteger militares dos EUA de ameaças atribuídas às forças iranianas.

"Os ataques foram planejados para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas", afirmou o CentCom em comunicado.

Horas antes, autoridades iranianas haviam relatado explosões em Bandar Abbas, cidade portuária no sul do país onde está localizada uma importante base militar das forças aérea e naval iranianas. Segundo a agência semioficial Fars News Agency, a situação na região havia sido normalizada durante a madrugada.

Movimentações de Trump na crise no Oriente Médio

Donald Trump: presidente dos Estados Unidos (Andrew Harnik/AFP)

Em uma publicação no Truth Social na segunda-feira, 25, Donald Trump também instou a Arábia Saudita, o Catar e outros países a aderirem aos Acordos de Abraão e a reconhecerem Israel. Em uma declaração posterior, o presidente afirmou que o urânio enriquecido do Irã seria entregue aos EUA ou, preferencialmente, destruído no Irã.

Enquanto isso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que Israel intensificaria os ataques contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, após atingir alvos no sul do Líbano. A escalada ocorreu após ataques com drones do Hezbollah que atingiram território israelense e um foguete disparado em direção a Israel, interceptado pela Força Aérea Israelense.

O Irã exigiu o fim das hostilidades contra o Hezbollah no Líbano como parte de qualquer acordo de paz com os EUA. O Axios noticiou que uma minuta de um possível acordo entre os EUA e o Irã inclui cláusulas que põem fim à guerra entre Israel e o Hezbollah.

Frágil trégua

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo. (Stringer/Reuters)

Mesmo com a redução temporária dos ataques, o Irã continua restringindo a navegação no Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos mantêm bloqueios aos portos iranianos.

Nos últimos dias, os dois países chegaram a sinalizar avanços nas conversas para um acordo definitivo de paz. Ainda assim, o governo iraniano afirmou nesta segunda-feira que as negociações continuam distantes de um consenso.

A guerra começou em 28 de fevereiro, após ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica. Desde então, o conflito provocou impactos no transporte marítimo na região, ataques iranianos contra países vizinhos e alta nos preços internacionais da energia.

No sábado, Donald Trump afirmou acreditar que um acordo estava próximo. Horas depois, porém, endureceu o discurso e disse que iria “explodi-los em mil infernos” caso não houvesse consenso entre as partes até o domingo.

Os preços do petróleo chegaram a recuar diante do otimismo do mercado com uma possível trégua, após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, indicar que um acordo poderia estar próximo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, no entanto, rebateu as declarações e afirmou que “ninguém pode sustentar” essa previsão.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: