Grazi Massafera revela desafios de Dona Beja: ‘Tem muitas questões’
Grazi Massafera vive a icônica Dona Beja, na HBO Max, na releitura da clássica novela que promete debater pautas sociais relevantes e provocar grandes reflexões no público. Confira entrevista à Contigo! Novelas.
O que te fez aceitar o convite para a novela? Falou com a Maitê Proença antes de assumir o papel? Não tem como falar de Beja sem falar de Maitê. Foi ela que transformou essa personagem em ícone, em lenda. Ela me recebeu, pedi a bênção. Ficamos amigas. Aceitei porque era pequena quando a novela original passou. Preferi não assistir à original. Ela faz parte de tudo que eu acredito enquanto mulher. Ela abraça as minorias, rompe barreiras, não aceita padrões. Ela é fascinante. A beleza não é o diferencial da Beja, é o veículo que a transporta.
Como acha que o público vai receber a novela? Tem muitas questões para refletirmos. Os mais conservadores falarão absurdos, dirão que é lacração e isso é bom também. A gente enfia o dedo na ferida da sociedade. A personagem que abre portas e caminhos. Vejo que fui encarnando nessa mulher, é a primeira vez que encarno numa personagem. É a personagem que mais amei fazer. O que a Beja ensina hoje é a persistência e resistência, fazer do limão, uma limonada.
Qual a importância de causar esse incômodo? Mais do que incomodar, queremos amolecer esses corações. Que encontrem pessoas, seres humanos, mais do que corpos, do que identidade sexual. A gente quer gerar reflexão. Que essa reflexão surta algum tipo de efeito. Beja vai ser um sucesso para a gente atingir esses corações endurecidos pela vida, por seus preconceitos, por questões que doem. Essas pessoas também sofrem com esses bloqueios. Tem gente que não quer sentir esse incômodo. É uma espécie de autoproteção. Desumaniza. Se não é do seu lado, na sua casa, você não toma atitude. E isso está errado. Como sociedade, a gente precisa reagir.
Todos do elenco destacaram muito a sua força atrás das câmeras como protagonista. Qual o peso disso? Você vira uma força motora, você afeta as pessoas. Eu consegui contracenar com todos os atores dos diferentes núcleos. É a segunda novela sendo lançada por esse canal. A gente quer que dê certo para abrir mais oportunidades. Gera muito trabalho, a gente quer muito que esse projeto dê certo. Eu fiquei muito feliz e ansiosa por Beja. O protagonismo das novelas voltando é importante. O público sente e eles vão sentir a nossa conexão como grupo.
O que Beja ensinou sobre a liberdade feminina? É não sucumbir às regras e estar aberta às mudanças. Somos sempre tão tolhidas. A Beja é fruto da imaginação de um jornalista. A real só morava sozinha com dois filhos em uma fazenda. Ela já foi tachada como prostituta. Num recorte de jornal de época, essa Ana Jacinta enfrenta a sociedade indo a uma festa sozinha, sem o marido, com vagalumes no cabelo. Olha como essa mulher subvertia as atitudes dela! Pra mim, a Beja me mostra a força do instinto. Os tempos de hoje não nos deixam confiar no que a gente realmente pensa, mas ela me trouxe mais potência nesse lugar.
Como é estar com Dona Beja e Arminda no ar ao mesmo tempo? Dona Cobra é o oposto da Beja. Acho legal ter as duas personagens tão interessantes e distintas no ar. Traz versatilidade como atriz. Vivo intensamente cada momento. Falar de questões femininas é meu dia a dia. Sou solteira, faço o que quero, sou subjugada pelos meus namorados, meu corpo, minha filha, minha beleza, meu envelhecer. Estou sempre me desconstruindo. Como atriz, foi o melhor momento para encarar essa personagem. A Arminda não vive seus desejos e, quando vive, vira quase criança. É uma ruindade em pessoa.
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