Integração do Free Flow com CNH do Brasil deve avançar em 30 dias, diz ministro
A integração do sistema de pedágio eletrônico Free Flow com o aplicativo CNH do Brasil deve começar a avançar em até 30 dias, segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, em entrevista exclusiva ao programa Macro em Pauta da EXAME.
A medida ocorre após o governo federal suspender 3,4 milhões de multas aplicadas em rodovias que operam no modelo e estabelecer novos prazos para adaptação do sistema.
“Acreditamos que muitas empresas, em menos de 30 dias, vão estar implementando a integração”, afirmou o ministro.
O plano do governo é que o cidadão seja notificado via aplicativo da CNH do Brasil quando passar por um pedágio sem cancela.
O Free Flow é um modelo de pedágio sem praças físicas, baseado em pórticos que registram automaticamente a passagem dos veículos e permitem cobrança proporcional ao trecho percorrido.
A decisão do governo, formalizada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), também suspende temporariamente a aplicação de novas multas por não pagamento e concede prazo de até 200 dias para regularização dos débitos.
Durante esse intervalo, motoristas poderão quitar pendências sem penalidades e sem impacto na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Quem regularizar a situação também poderá recuperar pontos eventualmente perdidos.
As concessionárias terão 100 dias para ajustar seus sistemas e concluir a integração tecnológica.
Aplicativo vai centralizar informações de pedágios
Um dos principais pilares da reformulação é concentrar dados de passagens, valores pendentes e formas de pagamento no aplicativo CNH do Brasil.
“Qualquer tipo de multa que a pessoa tenha vai aparecer lá, sinalizando que ela tem um comunicado novo”, disse Santoro.
A proposta é que o motorista consiga consultar, em uma única plataforma, todos os registros do veículo, independentemente da rodovia — federal, estadual ou municipal.
Além disso, o modelo prevê que as próprias concessionárias e empresas de meios de pagamento avancem na construção de soluções mais integradas de cobrança.
Segundo o ministro, hoje o usuário ainda enfrenta dificuldade para validar as tarifas cobradas.
“Hoje, mesmo que a pessoa tenha o tag, ela não consegue conferir se aquela informação que a empresa de meios de pagamento está cobrando dela é verdadeira ou não”, afirmou.
Falhas na integração motivaram revisão do modelo
De acordo com o ministro, o sistema não cumpriu exigências previstas na regulamentação, especialmente no que diz respeito à troca de dados entre concessionárias e governo.
“O prazo de interoperabilidade entre concessionárias e governo não foi cumprido, e isso foi muito ruim”, afirmou.
Segundo Santoro, o modelo passa por uma fase de transição e correção de rota para atingir o objetivo original da política pública.
“Herdamos um modelo do governo anterior e construímos uma nova norma por meio de resolução do Contran”, disse.
“Ajustamos o modelo do Free Flow e fizemos com que ele seja realmente o que esperamos: redução de custos e melhora nas tarifas”, afirmou.
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