Irã confirma morte de Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança, após ataque de Israel
A morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã e um dos principais nomes do regime iraniano, foi confirmada na tarde desta terça-feira, 17, por agências de notícias do país.
Larijani morreu após um ataque aéreo conduzido por Israel contra Teerã. Segundo a imprensa israelense, ele foi atingido junto com seu filho em um apartamento utilizado como esconderijo.
O episódio ocorre em meio à intensificação do confronto entre os dois países. Irã e Israel realizam trocas de ataques aéreos desde a madrugada.
"O mártir Ali Larijani, um dos funcionários mais proeminentes e prudentes do país, foi alvo de ataques aéreos americanos e sionistas na casa de sua filha, na região de Pardis, juntamente com seu filho, um de seus assessores e um grupo de guarda-costas, e foi martirizado", diz um comunicado emitido pela agência Fars.
Quem foi Ali Larijani?
O político iraniano Ali Larijani foi uma das figuras centrais da República Islâmica, com atuação direta na formulação da política de segurança e proximidade com o aiatolá Ali Khamenei até a morte do líder supremo em um ataque aéreo no mês anterior, informou a agência Reuters.
Larijani, de 67 anos, morreu após um ataque aéreo conjunto conduzido por Estados Unidos e Israel enquanto visitava sua filha na região de um subúrbio de Teerã, segundo a agência semioficial iraniana Fars, nesta terça-feira. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que a operação foi realizada por forças israelenses.
Descendente de uma família clerical influente, com irmãos que também ocuparam cargos relevantes após a Revolução Islâmica de 1979, Larijani construiu trajetória política marcada por posições estratégicas dentro do regime. Ele ocupou funções centrais na estrutura de poder, incluindo o comando da Guarda Revolucionária durante a guerra Irã-Iraque e a presidência do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Ao longo da carreira, também liderou a emissora estatal IRIB e exerceu mandato como parlamentar, chegando à presidência do Legislativo por 12 anos. Nesse período, acumulou responsabilidades em áreas como negociações nucleares com países ocidentais, relações regionais e gestão de crises internas.
Larijani teve participação em decisões relacionadas ao programa nuclear iraniano e na condução de políticas de segurança, além de atuar na resposta a protestos internos. Após episódios de repressão a manifestações em janeiro, que resultaram em milhares de mortes, ele foi alvo de sanções por parte dos Estados Unidos.
Durante a escalada recente de tensões, iniciada em 28 de fevereiro, o político criticou as ações militares de EUA e Israel e emitiu alertas sobre possíveis manifestações internas. Os ataques representaram impacto direto sobre a estratégia nuclear que ajudou a estruturar, baseada na ampliação da capacidade atômica dentro de limites internacionais.
Ascensão no regime iraniano
Ali Larijani nasceu em 1958, na cidade de Najaf, no Iraque, um dos principais centros do islamismo xiita. Ainda jovem, mudou-se para o Irã, onde seguiu formação acadêmica e obteve doutorado em filosofia.
Com a Revolução Islâmica, em 1979, que levou o aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder, Larijani ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica meses após o início do conflito com o Iraque. Durante a guerra contra o regime de Saddam Hussein, atuou como oficial de estado-maior, com funções voltadas à organização do esforço militar.
Após o conflito, assumiu cargos no governo, incluindo o Ministério da Cultura e a presidência da emissora estatal IRIB, posição estratégica na comunicação institucional do regime. Posteriormente, foi nomeado para o Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Candidatou-se à presidência em 2005, sem sucesso, e foi eleito para o parlamento dois anos depois. Sua permanência no centro do poder também esteve associada à atuação de familiares em posições relevantes, como seu irmão Mohammad-Javad, que integrou o parlamento e atuou como conselheiro de Ali Khamenei.
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