Irã pretende bloquear exportação de petróleo e EUA ameaça intensificar ataques no 11º dia de guerra

Por Mateus Omena 11 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Irã pretende bloquear exportação de petróleo e EUA ameaça intensificar ataques no 11º dia de guerra

O governo do Irã afirmou nesta terça-feira, 10, que não permitirá a exportação de petróleo a partir do Golfo, mesmo após advertência dos Estados Unidos, que ameaçaram intensificar as ofensivas militares contra a república islâmica. Autoridades iranianas declararam que não permitirão a exportação de “um único litro de petróleo” da região enquanto o conflito continuar.

No mesmo dia, Teerã anunciou uma nova série de ataques com mísseis contra Israel, com foco em Tel Aviv, e também contra instalações associadas aos Estados Unidos no Oriente Médio. A ofensiva ocorre no contexto da guerra iniciada em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos.

Desde o início das hostilidades, seguidas por respostas militares iranianas, principalmente contra infraestruturas energéticas do Golfo, os preços do petróleo passaram por oscilações nos mercados internacionais.

Na segunda-feira, 9, as cotações registraram alta antes de estabilizar nesta terça-feira, 10. Investidores monitoram o risco de que a ampliação do conflito provoque impactos na economia global.

A refinaria de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, interrompeu as operações após um ataque com drones, segundo uma fonte ligada ao caso que pediu anonimato.

"Vimos duas bolas de fogo subir do complexo, seguidas de barulhos fortes que pareciam explosões", contou, também sob anonimato, um taxista que transportou o pessoal que evacuou a refinaria.

Autoridades dos Emirados Árabes Unidos informaram que não foram encontrados destroços na instalação.

Os Estados Unidos advertiram o Irã para evitar medidas que afetem a economia global, mas a reação iraniana manteve o tom de enfrentamento. "As forças armadas iranianas [...] não vão permitir a exportação de um único litro de petróleo da região para a parte hostil e seus aliados até novo aviso", reagiu Ali Mohamad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, força militar ligada ao regime iraniano.

A declaração faz referência ao Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e de gás natural liquefeito, ou LNG, sigla em inglês para combustível transportado em estado líquido.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, informou que a Marinha escoltou um navio petroleiro durante a travessia do estreito. A mensagem foi apagada minutos depois.

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Reações internacionais e impactos econômicos

O diretor da Aramco, empresa estatal de hidrocarbonetos da Arábia Saudita, Amin Nasser, afirmou que considera necessário restabelecer o transporte marítimo no estreito.

Na Europa, autoridades discutem medidas para conter os efeitos da alta dos preços da energia. A União Europeia recomendou a redução de impostos sobre energia, enquanto o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu evitar "uma guerra sem fim".

A Agência Internacional de Energia, organização intergovernamental responsável por monitorar o mercado energético, convocou nesta terça-feira, 10, uma reunião extraordinária para avaliar o uso de estoques estratégicos de hidrocarbonetos.

Nos Estados Unidos, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, afirmou que esta terça-feira seria "o dia mais intenso dos ataques".

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que pretende quebrar "os ossos" do regime iraniano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou na segunda-feira, 9, a possibilidade de que o conflito termine "logo".

Em Teerã, capital do Irã, explosões foram registradas ao longo do dia. Jornalistas da Agence France-Presse, ou AFP, relataram fortes detonações ouvidas em diferentes áreas da cidade.

Moradores disseram à agência que diversos comércios permanecem fechados. Escolas, escritórios, bancos e repartições públicas também suspenderam atividades.

Serviços de comunicação operam com restrições, o que dificulta contatos com o exterior. Uma moradora afirmou à AFP que há "homens armados nas ruas a bordo de veículos grandes".

"O único que vemos deles são seus olhos", disse.

Autoridades iranianas mantiveram o tom de confronto nas declarações públicas. "O Irã não se assusta com suas ameaças vazias. Outros mais poderosos que você tentaram eliminar a nação iraniana e não conseguiram. Cuide-se você para não ser eliminado!", escreveu no X Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança do Irã, em mensagem dirigida a Trump.

Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, afirmou que o país responderá "olho por olho, dente por dente" aos ataques contra infraestruturas nacionais.

O Ministério da Inteligência anunciou a prisão de 30 pessoas por suspeita de espionagem, entre elas um estrangeiro cuja nacionalidade não foi divulgada.

As detenções ocorreram após a nomeação do aiatolá Mojtaba Khamenei como novo guia supremo do Irã, no domingo, 8, depois da morte de seu pai durante bombardeios atribuídos a Estados Unidos e Israel no início da guerra.

Dois dias após a nomeação, Mojtaba Khamenei ainda não apareceu em público. A televisão estatal informou apenas que ele "ficou ferido" durante o conflito.

Enquanto isso, ataques iranianos contra monarquias petrolíferas do Golfo continuam. Algumas dessas nações abrigam bases militares dos Estados Unidos.

Kuwait e Arábia Saudita informaram que interceptaram drones, enquanto o Bahrein registrou duas mortes após um ataque contra um edifício residencial.

No Líbano, o exército israelense mantém ofensiva contra o movimento Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã. Segundo o governo libanês, cerca de 760 mil pessoas foram deslocadas pelo conflito.

EUA destroem 10 navios lança-minas do Irã no estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira, 10, que forças americanas destruíram 10 embarcações iranianas lança-minas no Estreito de Ormuz, rota marítima considerada estratégica para o transporte global de petróleo. Trump afirmou que militares dos Estados Unidos destruíram dez navios lança-minas do Irã nas últimas horas.

O anúncio foi feito na rede social Truth Social, plataforma criada pelo próprio Trump, no 11º dia da ofensiva conjunta conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. "Tenho o prazer de informar que, nas últimas horas, atacamos e destruímos completamente 10 navios lança-minas do Irã, e outros virão!", disse Trump na rede social Truth Social.

Antes da publicação, o presidente norte-americano havia advertido o governo iraniano sobre possíveis consequências militares caso minas fossem colocadas no estreito. Trump declarou que qualquer tentativa de transformar o estreito de Ormuz em um campo minado provocaria resposta militar de grande escala.

“Se o Irã tiver colocado minas no estreito de Ormuz, e não temos relatos de que o tenha feito, queremos que sejam removidas IMEDIATAMENTE! Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências para o Irã serão de uma magnitude militar nunca antes vista”, escreveu Trump.

"Se, por outro lado, removerem o que possa ter sido colocado, será um grande passo na direção certa!”, acrescentou.

O estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é considerado uma das principais rotas do comércio internacional de energia. A passagem concentra parte relevante do transporte marítimo de petróleo e gás natural liquefeito no mundo.

As declarações do presidente norte-americano ocorreram em meio a preocupações sobre impactos econômicos do conflito, especialmente diante da alta do preço do petróleo nos mercados internacionais.

O tema também passou a gerar questionamentos dentro da política interna dos Estados Unidos. O governo Trump enfrenta pressões relacionadas à decisão de iniciar uma intervenção militar em uma região marcada por disputas geopolíticas prolongadas.

A duração da ofensiva militar também é objeto de debate em Washington. O cenário ocorre antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, processo que renovará parte do Congresso americano.

Pentágono registra militares feridos em ataques iranianos

O Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, informou nesta terça-feira, 10, que cerca de 140 militares americanos ficaram feridos durante ataques iranianos contra bases militares no Golfo Pérsico.

Segundo comunicado oficial, oito militares sofreram ferimentos graves. O Departamento de Defesa afirmou que 108 soldados já retornaram às atividades após tratamento médico.

O órgão informou que a maior parte dos militares sofreu ferimentos classificados como leves.

Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, pelo menos sete militares americanos morreram durante ações de resposta conduzidas por forças iranianas.

Seis dessas mortes ocorreram em um ataque com drone contra uma base militar no Kuwait, segundo informações divulgadas pelo Departamento de Defesa.

EUA negam que Marinha tenha escoltado petroleiro pelo estreito de Ormuz

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou nesta terça-feira, 10, que a Marinha dos Estados Unidos não realizou escolta de navios petroleiros no estreito de Ormuz.

A postagem havia sido publicada na rede social Facebook e mencionava que a escolta teria ocorrido com sucesso durante o conflito com o Irã. "Sei que a publicação foi removida rapidamente e posso confirmar que a Marinha dos EUA não escoltou nenhum petroleiro ou qualquer outra embarcação até o momento", declarou Leavitt durante entrevista coletiva.

A porta-voz acrescentou que a medida pode ser considerada pelas autoridades americanas diante da crise provocada pelo bloqueio da rota marítima. "Embora, é claro, essa seja uma possibilidade", acrescentou a porta-voz, ao mencionar a hipótese de proteção naval para embarcações comerciais.

Questionada sobre a publicação inicial feita por Chris Wright, Leavitt disse que tomou conhecimento do episódio, mas afirmou não ter conversado diretamente com o secretário de Energia. "Não tive a oportunidade de falar diretamente com o secretário de Energia sobre o assunto", declarou.

O episódio teve reflexos no mercado de energia. O preço do petróleo WTI, sigla para West Texas Intermediate, referência do mercado norte-americano, caiu mais de 13% e recuou para cerca de US$ 80 por barril após a postagem sobre a suposta escolta.

No dia anterior, a cotação do petróleo havia superado US$ 100 por barril diante da escalada do conflito no Oriente Médio.

Investidores acompanham possíveis impactos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no fornecimento global de petróleo, sobretudo após o fechamento do estreito de Ormuz.

As repercussões econômicas da ofensiva militar também são debatidas no Congresso dos Estados Unidos. Parlamentares avaliam efeitos do aumento do preço dos combustíveis e os custos da operação militar iniciada pelo governo americano.

O conflito já dura 11 dias e não há previsão oficial para o encerramento das operações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na semana passada que a guerra poderia durar quatro ou cinco semanas. Na segunda-feira, 9, afirmou que o conflito está "praticamente encerrado".

*Com informações das agências AFP e EFE.

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